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3.6.11

Mudar o Brasil

O Brasil não será mudado por ninguem que hoje está no poder ou que está lutando para usá-lo.  O sistema politico e eleitoral é ruim, a começar pelo voto obrigatorio e pela impunidade dos politicos que prometem e nao cumprem.

Nem esquerda, nem direita, nem católicos, nem evangélicos, nem verdes, nem desenvolvimentistas, existem posições, necessidades, demandas, que não dependem desses senhores.  Vamos nos libertar disso, o Brasil precisa de boa gestão e não de ideologias.

O Brasil não será mudado apenas pela Educação, além de se querer demais dos professores, qualquer boa lição é facilmente vitimada pelas ideologias pregadas pelos meios de comunicação, inclusive os canais religiosos.  O jovem que é formado para ser alguem digno quando cai no mundo adulto, no trabalho, no funcionalismo publico, passa a viver uma DESCONSTRUÇÃO, se assim podemos dizer, pois a pratica da vida brasileira destroi qualquer construção moral feita nos mais jovens.

O sucesso dos malfeitores liquida qualquer bom projeto, liquida qualquer sonho.

Para o Brasil mudar precisamos de Educação, da escolar a assistencia tecnica, mas precisamos de bons exemplos, de gente bem sucedida por fazer o certo.

Bem sucedida por fazer o certo, uma multidão mesmo que pequena, de pessoas felizes por fazerem o certo, tendo acesso ao consumo (moderado), a bons serviços, a saude - isso equivale dizer que precisamos de muito mais gente construindo um sistema paralelo, um estado paralelo, em vez de ficarmos dando murro em ponta de faca, enxugando gelo, soprando poeira, para ver se o Brasil muda apenas com nossos exemplos pessoais, como ilhas querendo domar um mar.

Mas, não sejamos tolos.  Nada disso seguirá adiante em plena paz, tolerado pelos que se beneficiam da farra, logo, devemos estar todos preparados para contra-atacar, destruir o adversário, lutar.

Se há algo que poderá um dia ser colocado no curriculo de cada um, para orgulho maximo, feito unico, esse algo será ter lutado por construir um outro país.  O vazio interior, a insatisfaçao que não passa, a revolta que não é extinta, a indignação que não se apaga, tudo isso acabará quando um dia pegarmos o destino pelas mãos e formos a luta.

13.7.10

Ser ou Não Ser

O individuo chega pra mim e diz "nossa, uma vergonha, dá vontade de denunciar, mas não vou me meter nisto não, não vale a pena o aborrecimento" - pois é, e assim vamos e eu, quando percebo que alguem quer me contar um escandalo, uma denuncia, já mudo de conversa.

Hoje, não raro os queixosos contra as bandalhas do cotidiano clamam "cadê a sociedade civil organizada?"

Não tem, e quando tem está comprometida com politica partidária.

O que aconteceu?

Hoje temos no Brasil milhares de ONGs ambientalistas e sociais, as entidades que congregam a tal sociedade civil organizada.  As ONGs são clubes, sindicatos, partidos politicos, entidades ambientalistas, associações profissionais, etc.  Nasceram pelo interesse de alguns em organizar forças em prol de um objetivo que se supõe publico, ou de muitos, da sociedade, difusos, etc.

Defensores de matas, observadores de pássaros, amigos do bairro, clube de engenheiros, partidos do p do b, associação das lavadeiras do rio...

Depois veio a onda de profissionalização, de aparelhamento para uma luta mais pesada, eficiente, principalmente no caso das ONGs ambientalistas e sociais.

Hoje, problemas como os danos e abusos da especulação imobiliária, ou a falta de dados sobre possiveis danos a saude por antenas de celular, a morte de baías por grandes poluidores, a corrupção no poder publico, carecem de ONGs.

Por outro, sobram ONGs querendo parcerias milionárias com grandes empresas e governantes, poluidores, corruptos, mal administradores, etc.  ONGs que se prestam a faxineiros ou pintores de uma imagem bonita para entidades sujas, fazendo marketing ecologico para quem está devendo.

Seus diretores e equipes com salario de mercado, viagens pagas, almoços gratis, presentes de fim de ano, medalhas e diplomas... Enquanto os poucos guerreiros do interesse social gastam do seu para irem brigar com essas mesmas empresas e seus belos relatorios anuais de prestação de contas socioambientais.

E o que dizer das ONGs guerreiras?

Fora aquelas acusadas de favorecerem interesses internacionais, temos as ligadas a grupos politicos, de esquerda na maior parte.  Logo, suas ações também são suspeitas.

E todos se preocupam com grandes questões, grandes temas, porque é daí que vêm as grandes somas e ajudas.  Brigar contra um projeto abusivo de uma construtora não interessa, denunciar as profundidades oficiais de um esquema destrutivo nem pensar.

Refloresta-se 50 ha no interior de Minas e 10 ha na cidade do Rio de Janeiro vão pro espaço; investe-se nas tartarugas marinhas mas não se cuida para que vazamentos não ocorram.  Defende-se os 80% de reserva legal na Amazonia, mas a urbe padece de poluição do ar e sonora.

Ser ou não ser?  Pra Deus ou pro diabo?  Agua ou óleo?

10.5.10

Como Crescer sem Degradar?

No Brasil todos os anos milhares de jovens desgarram do salário dos pais para ganhar o seu, todos os anos milhares de pessoas entram na praça de consumo, no mercado, atrás de energia, alimentos, roupas, lazer, saúde, moradia, além de saneamento. Nossos empresários buscam todos os anos manter ou ampliar seus negócios diante das variações do mercado, dos competidores, das oportunidades, etc. Nossos políticos tentam saciar demandas de grupos diversos, fora as suas.




Como conciliar isso com a natureza?



E por que temos de conciliar progresso com a natureza? Quem está preocupado com macacos, arvores e peixes? Quem está com a vida saciada, quem não tem ambições maiores - essa é a visão da imensa maioria de cidadãos, para os quais a natureza é, quando muito, fonte de meios de progresso, pois, para eles, o progresso parece se dar sem qualquer relação com a natureza, como o leite - que dá em caixas de papel. A natureza tem força própria, ela pode se virar diante da poluição, do desmatamento, da desertificação, etc.



Entretanto, a própria saúde humana e produtividade deste progresso dependem a sanidade ambiental, então, a natureza tem uma utilidade: garantir o bem estar humano – ok, então, vamos conservar aquilo que a ciência definir como muito necessário a nós; porém, a ciência é falha e não conhece tudo, o que vier a ser destruído com aval cientifico pode se revelar amanhã como perda irreparável e grave. Isso nos remete a idéia de que nada na natureza é fútil ou descartável, que todos têm o direito de viver e o nosso consumo ou excreção devem ser responsáveis, respeitosos. Aí já entramos num ponto doloroso para muitos seres humanos, o de respeitar o próximo, já sendo dificílimo aplicar isso a outro humano – as próprias igrejas se encarregam ainda hoje de justificar os abusos.



Alegam os desenvolvimentistas que não há conciliação ou, quando muito, pode-se reservar áreas inférteis, imprestáveis, ao progresso (segundo o atual modelo) para a conservação de frações dessa natureza – melhor seria se os conservacionistas se virassem para ter o seu mundinho, em vez de se gastar dinheiro publico com isso.



A questão, na verdade, está aqui: os que decidem e impõem regras estão visceralmente ligados aos promotores do modelo vigente, e destrutivo, de desenvolvimento. Assim, para um outro modelo dominar, é preciso que ele gere riqueza e uma oferta apreciável de itens alternativos. Ninguém vive de vento ou de palavras.



Exemplos alternativos estão aí, a riqueza pode ser gerada por royalties da bioprospecção, da energia solar, da produção orgânica, da construção usando reciclados, do aproveitamento de resíduos, da correta administração de unidades de conservação, da criação/cultivo de espécies nativas, da venda de tecnologias limpas de produção, etc, etc.



Mas, como dissemos, os que decidem e geram emprego, renda e tributos estão atrelados aos velhos modelos, velhos modelos de produzir, de excretar, de tratar as pessoas, etc. Logo, a mudança tem que vir do trabalho dos que a querem, não do trabalho dos que a rejeitam