A prisão esta semana de Sarney pai e Sarney filha, mais outras 15 pessoas, numa localidade do interior do país revelou um grande segredo até então bem guardado.
Não foi a PF que fez as prisões, mas a guarda municipal desta localidade, por ordem de um juiz desconhecido, que estabeleceu fianças milionárias, ainda não pagas, para que os presos possam responder em liberdade, enquanto não se resolvem, permanecem presos em celas comuns, se bem que mais dignas que as do resto do país.
As autoridades da localidade, que tem como nome uma fria combinação de letras - "CB-01" - convocaram uma coletiva, diante das pressões dos vários orgãos de imprensa do país. A localidade é um dos cinco mil e poucos municipios do país, mas possui uma realidade completamente diversa.
A beira de uma rodovia federal tipicamente interiorana, arruinada e não pavimentada, acessamos uma via pavimentada que fez chegar a um grande portal, parecido com estes de base militar. Nos identificamos e tivemos de deixar o veiculo num estacionamento, sob a alegação de que em CB-01 só podem circular veiculos dirigidos pelos cidadãos da cidade, que possuem uma avaliação de habilitação diferente da do resto do Brasil. Fazer o que...?
Tomamos um onibus que seguiu por uma avenida arborizada, vendo ao longe industrias cujos prédios e ambiente externo são caprichados em termos estéticos, nem de longe se assemelhando a uma zona industrial. Entramos na cidade e uma coisa que nos impressionou de imediato foi o numero de jovens bem afeiçoados e uniformizados trabalhando na conservação de jardins, árvores, calçadas, pistas, no apoio ao transito, etc, não parecendo ser jovens de classes mais baixas, como nas nossas cidades. Notamos também a forte presença de bicicletas, patins, além de coletivos eletricos, quase não se vendo veiculos de passeio. Era uma terça-feira, horáro comercial, e durante todo o nosso trajeto não vimos camelôs, botequins, mendigos e jovens vadiando. Havia uma limpeza visual no ambiente, as margens dos rios eram parques e vimos inclusive araras nas árvores. Não vimos lixo nas ruas, mas, antes de entrarmos na cidade, vimos um imenso centro de reaproveitamento de residuos.
Fomos escoltados por guardas do municipio, que nos encaminharam diretamente ao centro de imprensa da administração. Lá, o porta-voz repetiu o release distribuido e abriu tempo para perguntas. A despeito da importancia do fato da prisão, perguntei a ele do porquê de um lugar como aquele permanecer ignorado.
- estamos construindo um novo país, temos aqui pessoas que querem construir um carro novo e melhor, em vez de ficar tentando consertar um velho. Não nos preocupamos em aparecer ou ter espaço em vossa midia, temos a nossa e por meio dela provocamos reflexões e fortalecimento do caráter, e de nenhum modo deixamos de ter uma sociedade ordeira e um mercado forte. Somos a oportunidade dos que querem fazer a sua vida, mas pensando grande, pensando socialmente.
- mas, e agora com a prisão dessa turma?
- estamos fazendo a nossa parte, se pudessemos, dariamos o nosso jeito, mas estamos dentro do Brasil, ainda não somos o Brasil, logo, temos de seguir certos procedimentos.
- não temem represálias?
- sim, aliás, estamos sempre prontos para represálias do Brasil, porque sabemos que mexer contra a corrupção e a malandragem é mexer com os brios dos brasileiros.
- falas como se não fosses brasileiro.
- Sr., se conhecesse nossa realidade, nossos modos, concluiria que não somos de fato brasileiros, estamos aqui, mas somos um povo novo em formação. Não perdemos nosso tempo tentando consertar o Brasil, estamos aqui consertando nossa vida e expandindo isso.
- agora voces ficarão conhecidos, como pretendem lidar com isso?
- vamos continuar nossa vida, somos um povo, digno do termo, não nos deixaremos ser perturbados por um bando, um amontoado. Aqueles que quiserem se aproximar ou mesmo aderir, venham com a certeza de que aqui as leis são aplicadas e que temos nossos costumes.
- vejo que há bastante estrangeiros aqui...
- sim, temos pessoas de várias partes do mundo, mas, a maioria é de brasileiros e vizinhos, temos uma bela mistura de raças, o gosto pelo cultivo da saude fisica e mental e uma certa dose de maturidade para lidar com as apreensões do espirito.
- a praça central não tem igreja alguma.
- porque Deus está por todo lugar e em todos nós, lidar com isso é um de nossos segredos.
- os jovens são obrigados aos trabalhos forçados?
- não se trata de trabalhos forçados, mas de serviço civil obrigatorio, o nosso sistema de ensino ensina para a vida. Temos uma policia de costumes e uma policia criminal. Nenhum cidadão incapaz fica na rua. Não temos favela, porque ninguem entra aqui quando bem quer, porque ninguem aqui é deixado na indignidade.
- e por que voces mexeram com esse vespeiro?
- porque ele deu o azar de pousar aqui, avisamos pelo rádio do aeroporto, mas, ele achou que estava no Brasil.
Quem sou eu
- Salvador
- Atrás sempre de um ponto de equilibrio e do desenvolvimente responsavel
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25.8.11
1.7.11
Reforma Moral
"Precisamos de uma reforma moral no Brasil" - é o que tenho ouvido cada vez mais de pessoas, irritadas com o noticiário que denuncia abusos como os do governador do Rio de Janeiro e os da familia Sarney, ou as informações sobre o estado precaríssimo do sistema prisional, da saude publica e privada, da educação, do futebol, etc.
Porém, curioso, para não dizer triste, é constatar como nós, individualmente, estamos devendo neste quesito. Quantos não clamam hoje por uma reforma moral enquanto traem suas esposas com amantes, ou negam carinho aos filhos a titulo de lhes dar uma educação realista, ou - sendo funcionarios publicos - fazem mau uso da fé publica que possuem, "se dando bem", quantos não fazem assim?
Isso me faz lembrar o Evangelho, quando Jesus transitou em uma sociedade irritada, dividida, em crise moral, em crise politica e economica, miséria e violencia, corrupção de toda ordem. Partidos reformistas disputaram a atenção de Jesus, querendo tê-lo como líder messiânico e Ele, sabiamente, percebeu e se arriscou num posicionamento que o levou à cruz. Jesus jogou luz nos pecados intimos, secretos, escondidos, de cada reformista, para não falar dos acomodados e beneficiários da bagunça.
No Brasil hoje precisamos que cada cidadão indignado dê exemplo, ao invés de cobrar boa conduta dos outros. Um corpo é formado por células e estas devem estar sãs para que o corpo funcione direito, não adianta umas ficarem acusando outras, enquanto escondem suas enfermidades.
Não acredito que seja viável uma reforma moral justa neste momento, tendo os moralistas este perfil hipócrita. O corpo está tão doente que penso que seria mais viável extrair células sãs dele para formar outro corpo e deixar este doente apodrecer de vez.
Porém, curioso, para não dizer triste, é constatar como nós, individualmente, estamos devendo neste quesito. Quantos não clamam hoje por uma reforma moral enquanto traem suas esposas com amantes, ou negam carinho aos filhos a titulo de lhes dar uma educação realista, ou - sendo funcionarios publicos - fazem mau uso da fé publica que possuem, "se dando bem", quantos não fazem assim?
Isso me faz lembrar o Evangelho, quando Jesus transitou em uma sociedade irritada, dividida, em crise moral, em crise politica e economica, miséria e violencia, corrupção de toda ordem. Partidos reformistas disputaram a atenção de Jesus, querendo tê-lo como líder messiânico e Ele, sabiamente, percebeu e se arriscou num posicionamento que o levou à cruz. Jesus jogou luz nos pecados intimos, secretos, escondidos, de cada reformista, para não falar dos acomodados e beneficiários da bagunça.
No Brasil hoje precisamos que cada cidadão indignado dê exemplo, ao invés de cobrar boa conduta dos outros. Um corpo é formado por células e estas devem estar sãs para que o corpo funcione direito, não adianta umas ficarem acusando outras, enquanto escondem suas enfermidades.
Não acredito que seja viável uma reforma moral justa neste momento, tendo os moralistas este perfil hipócrita. O corpo está tão doente que penso que seria mais viável extrair células sãs dele para formar outro corpo e deixar este doente apodrecer de vez.
5.5.10
PÉ COM PÉ
Não arrumei outro titulo melhor para o texto: hoje, como há 20, 50, 100, 200 anos atrás, existe um contingente de brasileiros insatisfeitos com o país, eu me incluo. Uma insatisfação múltipla, conforme a classe social, a raça (eu acredito nisto), sexo, idade, cidade, região, etc. Para alguns analistas, a insatisfação está concentrada na classe média, enternamente insatisfeita e medrosa, será? Não acredito.
Lula, em final de mandato, foi descrito por Michael Moore como aquele que desabrochou no Brasil o sonho americano, enquanto Obama presidência o processo de desmonte desse mesmo sonho, iniciado pelos antecessores. A solução do Brasil estaria em liberalizar a vida de modo que todos possam, por seu trabalho, obter renda e realizar seus sonhos materiais, sonhos de consumo, que o mercado se esforça por tutorar a seu favor.
Sim, cada um de nós tem o direito de, por seu trabalho, obter a renda para custear a realização dos sonhos pessoais, obter o meio de troca para viabilizar isso.
A cura da insatisfação brasileira estaria aí, porque essa é a raiz da insatisfação e esse é um direito que por séculos foi exercido apenas por uma pífia minoria, enquanto o grosso da população penava para sobreviver, muitas das vezes mediante humilhações. Essa liberdade, do liberalismo democrata, seria a essência do sonho americano. Lula, queiramos ou não, representa essa maioria, esse “paraíba que deu certo”.
Mas, esse poder sem formação, sem consciência, é como revolver em mão de criança, ou de macaco – os EUA, mais uma vez, têm muitas lições tristes a dar sobre isso, assim também a Europa. A insatisfação geral e o sonho de Lula desagradam os comunistas, claro.
Mas, a insatisfação não reside apenas na ausência de chances de ganhar dinheiro para com ele construir uma realidade melhor: uma casa, um carro, uma geladeira, mais cerveja e churrasco, celular cheio de recursos, etc. A insatisfação está também contra os meios que muitos têm usado para conseguir esse dinheiro e contra as formas de gasta-lo e de usar o que se comprou. A insatisfação no país pega no rabo de Lula também.
E aqui fica uma observação, para encurtar conversa: mais do que direcionar a insatisfação no esforço de um voto consciente (sendo tão difícil achar políticos decentes), essa insatisfação deveria ser usada para a nossa própria reformulação pessoal, no intuito de amadurecermos como cidadãos e membros do grande ecossistema. Essa insatisfação deveria nos fazer candidatos e assumir funções políticas, de governança, no condomínio onde moramos, no clube que freqüentamos, na religião que nos sustenta a alma, nas reuniões de pais da escola dos filhos, nas associações profissionais, etc, etc, para por fim, e aí sim, exercermos a insatisfação como candidatos a postos de comando da vida publica.
Uma outra forma de expressar uma INSATISFAÇÃO AMADURECIDA é exercer função econômica – trabalho, empreender, fazer negócio – balizada por essa insatisfação amadurecida, sermos funcionários ou patrões ou profissionais liberais conscientes, contaminando nosso trabalho com esse sentimento. Penso mesmo que, antes de querermos eleições limpas, candidatos corretos, leis decentes, etc, deveríamos construir um poder econômico comprometido com essa insatisfação amadurecida, para que ele pudesse financiar – aí sim – os esforços políticos.
Mais que políticos conscientes para serem votados, precisamos no Brasil de sociedade consciente, e de empreendedores e funcionários conscientes, precisamos enfim formar uma BASE consciente, a sociedade que se faz por si mesma – em vez de ficar torcendo para que dos covis brotem santos libertadores, torcida natural dos covardes e acomodados.
Mas, tenhamos uma certeza: a sociedade, em geral, ricos e pobres, não está interessada nisto, quer permanecer sim como macacos com pistolas nas mãos. A sociedade em geral, cultos e analfabetos funcionais, quer o álibi do alienado. A sociedade em geral, pretos e brancos, homens e mulheres, não quer as responsabilidades inerentes a liberdade, mas sim um “senhor que os ajude”.
Então, façamos nós a realidade que queremos para nós e tudo o mais será conseqüência.
Não arrumei outro titulo melhor para o texto: hoje, como há 20, 50, 100, 200 anos atrás, existe um contingente de brasileiros insatisfeitos com o país, eu me incluo. Uma insatisfação múltipla, conforme a classe social, a raça (eu acredito nisto), sexo, idade, cidade, região, etc. Para alguns analistas, a insatisfação está concentrada na classe média, enternamente insatisfeita e medrosa, será? Não acredito.
Lula, em final de mandato, foi descrito por Michael Moore como aquele que desabrochou no Brasil o sonho americano, enquanto Obama presidência o processo de desmonte desse mesmo sonho, iniciado pelos antecessores. A solução do Brasil estaria em liberalizar a vida de modo que todos possam, por seu trabalho, obter renda e realizar seus sonhos materiais, sonhos de consumo, que o mercado se esforça por tutorar a seu favor.
Sim, cada um de nós tem o direito de, por seu trabalho, obter a renda para custear a realização dos sonhos pessoais, obter o meio de troca para viabilizar isso.
A cura da insatisfação brasileira estaria aí, porque essa é a raiz da insatisfação e esse é um direito que por séculos foi exercido apenas por uma pífia minoria, enquanto o grosso da população penava para sobreviver, muitas das vezes mediante humilhações. Essa liberdade, do liberalismo democrata, seria a essência do sonho americano. Lula, queiramos ou não, representa essa maioria, esse “paraíba que deu certo”.
Mas, esse poder sem formação, sem consciência, é como revolver em mão de criança, ou de macaco – os EUA, mais uma vez, têm muitas lições tristes a dar sobre isso, assim também a Europa. A insatisfação geral e o sonho de Lula desagradam os comunistas, claro.
Mas, a insatisfação não reside apenas na ausência de chances de ganhar dinheiro para com ele construir uma realidade melhor: uma casa, um carro, uma geladeira, mais cerveja e churrasco, celular cheio de recursos, etc. A insatisfação está também contra os meios que muitos têm usado para conseguir esse dinheiro e contra as formas de gasta-lo e de usar o que se comprou. A insatisfação no país pega no rabo de Lula também.
E aqui fica uma observação, para encurtar conversa: mais do que direcionar a insatisfação no esforço de um voto consciente (sendo tão difícil achar políticos decentes), essa insatisfação deveria ser usada para a nossa própria reformulação pessoal, no intuito de amadurecermos como cidadãos e membros do grande ecossistema. Essa insatisfação deveria nos fazer candidatos e assumir funções políticas, de governança, no condomínio onde moramos, no clube que freqüentamos, na religião que nos sustenta a alma, nas reuniões de pais da escola dos filhos, nas associações profissionais, etc, etc, para por fim, e aí sim, exercermos a insatisfação como candidatos a postos de comando da vida publica.
Uma outra forma de expressar uma INSATISFAÇÃO AMADURECIDA é exercer função econômica – trabalho, empreender, fazer negócio – balizada por essa insatisfação amadurecida, sermos funcionários ou patrões ou profissionais liberais conscientes, contaminando nosso trabalho com esse sentimento. Penso mesmo que, antes de querermos eleições limpas, candidatos corretos, leis decentes, etc, deveríamos construir um poder econômico comprometido com essa insatisfação amadurecida, para que ele pudesse financiar – aí sim – os esforços políticos.
Mais que políticos conscientes para serem votados, precisamos no Brasil de sociedade consciente, e de empreendedores e funcionários conscientes, precisamos enfim formar uma BASE consciente, a sociedade que se faz por si mesma – em vez de ficar torcendo para que dos covis brotem santos libertadores, torcida natural dos covardes e acomodados.
Mas, tenhamos uma certeza: a sociedade, em geral, ricos e pobres, não está interessada nisto, quer permanecer sim como macacos com pistolas nas mãos. A sociedade em geral, cultos e analfabetos funcionais, quer o álibi do alienado. A sociedade em geral, pretos e brancos, homens e mulheres, não quer as responsabilidades inerentes a liberdade, mas sim um “senhor que os ajude”.
Então, façamos nós a realidade que queremos para nós e tudo o mais será conseqüência.
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