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3.5.11

Obama x Osama

Um presidente negro num país racista, os EUA, querendo se reeleger, após descumprir promessas e beneficiar aqueles que acusava (o setor financeiro e bélico) durante a 1ª campanha eleitoral, querendo se reeleger tendo no cangote uma oposição racista, belicista e fundamentalista cristã, o Tea Party, que o acusa de anticristo, muçulmano disfarçado, etc, etc. Um presidente que na 1ª campanha eleitoral anunciara que tiraria o seu país do Iraque e do Afeganistão – deixou o Iraque em plena guerra civil abafada e há dois meses via o Afeganistão virar um inferno das tropas invasoras da OTAN.


De outro lado, um mito terrorista construído sobre o filho de uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita, aliada da poderosa família Bush, que comandou os EUA por anos. Bin Laden seria rival politico dos reis sauditas que há décadas comandam a Arábia meio de uma ditadura sanguinária acobertada pela imprensa ocidental. Bin Laden foi treinado, equipado e transformado pela CIA em chefe de uma organização terrorista contra a ex-URSS, quando esta tentava manter dominado o Afeganistão. A politica mudou e Laden foi transformado em chefe do terror global após o atentado de 11 de setembro, sobre o qual pairam pesadas suspeitas de, ao menos, ter sido facilitado pelo governo dos EUA, liderado na época por Bush filho, amigo da família Laden.

Os EUA têm sua história manchada por vários episódios de conflitos e agressões a outros países, justificados por fatos criados pelo próprio país: da guerra contra o México e a Espanha no século XIX, passando pelas duas guerras mundiais, pela Guerra do Vietnam, Coréia, sem falar no apoio as ditaduras latino-americanas, desse modo, não é nada diferente dos países que acusa de serem malfeitores, como a ex-URSS atual Russia, ou a China. No Brasil, durante anos negaram – com o apoio da imprensa, da classe politica e intelectual – o apoio ao Golpe de 64, inclusive ridicularizando a denuncia da presença da frota naval no litoral brasileiro, o tempo passou e um dia a história, com “H”, prevaleceu, eles mesmos confessando as participações denunciadas.

Pois bem, agora o presidente Obama, acuado, vem a publico anunciar a execução de Osama Bin Laden, numa mansão no Paquistão, país até então aliado visceral dos EUA. A primeira prova da morte apresentada a imprensa foi descoberta como falsa (foto do rosto) e retirada de circulação, o corpo foi jogado ao mar num local desconhecido, horas depois. E os demais mortos no ataque, sendo que um deles seria a esposa de Laden?

Os EUA alegam que foram cumpridos rituais muçulmanos de sepultamento ante de darem sumiço no corpo – informação essa rapidamente contestada por diversos líderes muçulmanos no mundo. Os familiares de Laden não foram chamados para isso e jogar no mar é um procedimento estranho.

Alegam terem dado sumiço para que não houvesse peregrinação – oras, o cara não era odiado no mundo todo?

Que pudor é esse Tio Satan? Che Guevara foi fotografado morto na Boliva, Sadam Hussein foi filmado sendo arrancado de um buraco, seu enforcamento também foi divulgado, seu corpo fotografado! Por que esse pudor com um troféu de guerra??? Por que mostrar uma foto falsa, descoberta rapidamente como falsa? Por que não expor o cadáver a investigações independentes de DNA, porque atestar por meio de um exame que ninguém sabe como foi feito?

Os EUA são a sede de uma indústria de fakes, de mentiras, de encenações: HOLYWOOD. Desenvolveram ao longo de décadas a arte de forjar versões, estórias, provas, inclusive de ETs. É também a sede da mais poderosa e agressiva indústria de noticias e informações, capaz de abafar qualquer tipo de versão dos fatos que incomode o Tio Satan.

Mas, não se preocupe não Tio Satan, a maioria das pessoas prefere confiar em ti, devotar sua fé em ti, porque é mais seguro e cômodo, alimentar suspeitas sobre você, tão glamouroso, seria um pecado. Querem ignorar que um dia elas mesmas poderão ser vitimas de suas mentiras e armas, mesmo com tanta obediência e devoção – que o digam os iugoslavos.

20.3.11

Sorria, o Imperador Te Ama

SORRIA O IMPERADOR GOSTA DE VOCÊ


As demonstrações de deslumbre nacional para com a visita de Obama ao Brasil revelam como nós, ricos e pobres, somos um povo infantil e despreparado. Com essa visita e com as reações demonstradas posso dizer que o Brasil está pronto para servir aos EUA como nunca antes na história deste país.

Não devemos ser de todo amargos ou incrédulos, é possível que a família Obama sinta realmente afinidades com os brasileiros e que veja a nossa parcela parda da população com carinho: os EUA possuem hoje um presidente que tem um grande e inovador alcance político, por sua condição humana, alcance que fura o cerco da elite e chega lá no “povão” – Obama é preto como nós, saiu da pobreza, então Obama não é bacana da Zona Sul, é como nós.

É possível que os discursos de Obama revelem de fato uma afinidade com o Brasil e que ele tenha tentado discursar para nós movido por um sentimento sincero.

Mas, lembremos que ele é um político, que não está aqui por própria conta, e que aqui chega trazido por interesses outros e não apenas os pessoais. Ele representa o império mais poderoso da Terra, a maior economia, a maior potencia militar e tecnológica, a avassaladora máquina cultural e midiática, o porrete cristão e que, a despeito de manter os genocídios de suas guerras, de revelar-se um mentiroso ao seu próprio povo, Obama recebeu o Nobel da Paz, para desmoralização final de um premio hipócrita, como a ONU.

Devemos nos lembrar de que Obama tem como característica pessoal esse gosto de falar para massas, de ser um “pastor”, um bom exemplo a ser disseminado. É de fato um sedutor, ô sujeito para discursar bonito, só Brizola teve carisma semelhante. Então, como sedutor, como conquistador de mentes e corações, ele cumpre maravilhosamente o seu papel.

Os EUA precisam desfazer a péssima imagem que conseguiram com o falso líder cristão, George Bush, porém, o próprio Obama não é mais bem quisto em sua terra, precisa encantar o mundo e mostrar aos estadunidenses que eles estão errados em rejeitá-lo – Obama já começou sua campanha por reeleição.

A possível ruína dos governos pró-Ocidente nos países muçulmanos acendeu a luz “laranja”, de um grave risco de desabastecimento de petróleo. Enquanto os EUA afundam no Afeganistão e no Iraque – sem terem a realização de seus projetos imperiais - enquanto as ex-republicas soviéticas cheias de gás e petróleo não se libertam da Rússia de vez, a China avança, tomando mercados compradores e fontes de matérias primas na Ásia, na África e cada vez mais na América do Sul. Se na Ásia a Índia poderia ajudar os EUA, quem ajudaria na África e na América do Sul? Então, surge o Brasil com o Pre-Sal e sua defesa dos países pobres.

Os EUA nunca precisaram invadir o Brasil, nem tomar um pedaço nosso, nossa elite tem se encarregado há décadas de nos fazer de cães de guarda deles no continente, não temos força militar para enfrentá-los, a nossa só serviu até hoje para massacrar brasileiros rebelados. Nossas mentes não vivem sem os EUA, se eles suspenderem o fornecimento cultural para nós, cairemos de joelhos implorando por rock, holywood, sanduiches, intercâmbios, Disney, coisas cults, Discovery, etc.

Mas, a gestão Lula nos abriu para outros países, nos aproximou da China, da França, nos colocou em debates sobre como abandonar ou furar o cerco dos EUA, do dólar – como construir uma ordem sem a mão pesada dos EUA. Está claro para os EUA que já é hora de reparar o estrago e retomar o papel de grande irmão, acabando com esse assanhamento, mas numa boa, pois os tempos são outros, pegaria mal uma outra reação.

O Brasil também não é mais o mesmo: essa é a terceira gestão de um governo de linha um pouco diferente dos anteriores. O custo da reaproximação será alto, depois de tantos conflitos na ONU, na OMC, do caso do Legacy, da IV Frota, dos vistos, das revistas nos aerportos deles, etc. O governo Dilma abriu a pasta de exigências e precisa manter-se firme. Obama fala, fala, mas nada assina, neste aspecto foi leviano, superficial e, por que não, desrespeitoso: enquanto trata com superficialidade (tratados de intenções são apenas isso) justas demandas brasileiras, tenta cativar o povo daqui, com a figura de um “bom imperador” para quem poderá o povo pedir socorro, no caso de Dilma vacilar.

Apesar disso, foi muito interessante ver Obama elogiar Lula e a evolução do país, durante sua gestão, a uma forte democracia, “o Brasil que já é futuro” – tudo o que a mídia e demais grupos políticos não queriam ouvir de um presidente dos EUA. Bom, sendo tudo isso bajulação, eles não estão se importando.

Conclusão: eu não caio no canto da sereia democrata, negra e liberal de Obama, como não caí no papo cristão, conservador e republicano de Bush, o satanás de Bíblia na mão. Os EUA estão mal, estão em crise econômica, política e moral, o mundo está se arrumando sem eles, porque se cansou deles, a América Latina é seu ultimo e mais proximo quintal, eles não podem nos perder! A mesma sedução será despejada no Chile, alto-falante para os países de língua espanhola, fará o mesmo, sedutor.

Cabe a nós, bobocas, não nos derretermos como os repórteres e artistas da Globo (quanto a Globo pagou para transmitir a estada de Obama aqui? Foi exclusividade foi?). De qualquer modo, o Brasil segue num caminho perigoso, apesar de cheio de dinheiro.