SORRIA O IMPERADOR GOSTA DE VOCÊ
As demonstrações de deslumbre nacional para com a visita de Obama ao Brasil revelam como nós, ricos e pobres, somos um povo infantil e despreparado. Com essa visita e com as reações demonstradas posso dizer que o Brasil está pronto para servir aos EUA como nunca antes na história deste país.
Não devemos ser de todo amargos ou incrédulos, é possível que a família Obama sinta realmente afinidades com os brasileiros e que veja a nossa parcela parda da população com carinho: os EUA possuem hoje um presidente que tem um grande e inovador alcance político, por sua condição humana, alcance que fura o cerco da elite e chega lá no “povão” – Obama é preto como nós, saiu da pobreza, então Obama não é bacana da Zona Sul, é como nós.
É possível que os discursos de Obama revelem de fato uma afinidade com o Brasil e que ele tenha tentado discursar para nós movido por um sentimento sincero.
Mas, lembremos que ele é um político, que não está aqui por própria conta, e que aqui chega trazido por interesses outros e não apenas os pessoais. Ele representa o império mais poderoso da Terra, a maior economia, a maior potencia militar e tecnológica, a avassaladora máquina cultural e midiática, o porrete cristão e que, a despeito de manter os genocídios de suas guerras, de revelar-se um mentiroso ao seu próprio povo, Obama recebeu o Nobel da Paz, para desmoralização final de um premio hipócrita, como a ONU.
Devemos nos lembrar de que Obama tem como característica pessoal esse gosto de falar para massas, de ser um “pastor”, um bom exemplo a ser disseminado. É de fato um sedutor, ô sujeito para discursar bonito, só Brizola teve carisma semelhante. Então, como sedutor, como conquistador de mentes e corações, ele cumpre maravilhosamente o seu papel.
Os EUA precisam desfazer a péssima imagem que conseguiram com o falso líder cristão, George Bush, porém, o próprio Obama não é mais bem quisto em sua terra, precisa encantar o mundo e mostrar aos estadunidenses que eles estão errados em rejeitá-lo – Obama já começou sua campanha por reeleição.
A possível ruína dos governos pró-Ocidente nos países muçulmanos acendeu a luz “laranja”, de um grave risco de desabastecimento de petróleo. Enquanto os EUA afundam no Afeganistão e no Iraque – sem terem a realização de seus projetos imperiais - enquanto as ex-republicas soviéticas cheias de gás e petróleo não se libertam da Rússia de vez, a China avança, tomando mercados compradores e fontes de matérias primas na Ásia, na África e cada vez mais na América do Sul. Se na Ásia a Índia poderia ajudar os EUA, quem ajudaria na África e na América do Sul? Então, surge o Brasil com o Pre-Sal e sua defesa dos países pobres.
Os EUA nunca precisaram invadir o Brasil, nem tomar um pedaço nosso, nossa elite tem se encarregado há décadas de nos fazer de cães de guarda deles no continente, não temos força militar para enfrentá-los, a nossa só serviu até hoje para massacrar brasileiros rebelados. Nossas mentes não vivem sem os EUA, se eles suspenderem o fornecimento cultural para nós, cairemos de joelhos implorando por rock, holywood, sanduiches, intercâmbios, Disney, coisas cults, Discovery, etc.
Mas, a gestão Lula nos abriu para outros países, nos aproximou da China, da França, nos colocou em debates sobre como abandonar ou furar o cerco dos EUA, do dólar – como construir uma ordem sem a mão pesada dos EUA. Está claro para os EUA que já é hora de reparar o estrago e retomar o papel de grande irmão, acabando com esse assanhamento, mas numa boa, pois os tempos são outros, pegaria mal uma outra reação.
O Brasil também não é mais o mesmo: essa é a terceira gestão de um governo de linha um pouco diferente dos anteriores. O custo da reaproximação será alto, depois de tantos conflitos na ONU, na OMC, do caso do Legacy, da IV Frota, dos vistos, das revistas nos aerportos deles, etc. O governo Dilma abriu a pasta de exigências e precisa manter-se firme. Obama fala, fala, mas nada assina, neste aspecto foi leviano, superficial e, por que não, desrespeitoso: enquanto trata com superficialidade (tratados de intenções são apenas isso) justas demandas brasileiras, tenta cativar o povo daqui, com a figura de um “bom imperador” para quem poderá o povo pedir socorro, no caso de Dilma vacilar.
Apesar disso, foi muito interessante ver Obama elogiar Lula e a evolução do país, durante sua gestão, a uma forte democracia, “o Brasil que já é futuro” – tudo o que a mídia e demais grupos políticos não queriam ouvir de um presidente dos EUA. Bom, sendo tudo isso bajulação, eles não estão se importando.
Conclusão: eu não caio no canto da sereia democrata, negra e liberal de Obama, como não caí no papo cristão, conservador e republicano de Bush, o satanás de Bíblia na mão. Os EUA estão mal, estão em crise econômica, política e moral, o mundo está se arrumando sem eles, porque se cansou deles, a América Latina é seu ultimo e mais proximo quintal, eles não podem nos perder! A mesma sedução será despejada no Chile, alto-falante para os países de língua espanhola, fará o mesmo, sedutor.
Cabe a nós, bobocas, não nos derretermos como os repórteres e artistas da Globo (quanto a Globo pagou para transmitir a estada de Obama aqui? Foi exclusividade foi?). De qualquer modo, o Brasil segue num caminho perigoso, apesar de cheio de dinheiro.
Quem sou eu
- Salvador
- Atrás sempre de um ponto de equilibrio e do desenvolvimente responsavel
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20.3.11
16.3.11
Visita de Obama
Os preparativos da visita de Obama são verdadeiramente os preparativos de visita de um imperador a sua colonia mais festiva e tola. Obama não terá apenas uma visita protocolar de um chefe de potencia, visitando instituições republicanas brasileiras e associações comerciais e de intercâmbio. Obama fará, dentre outras coisas, um discurso numa das praças mais usadas pelos movimentos populares de protesto e proposição politica do Brasil, a Cinelândia, no centro da cidade carioca. Fará um discurso em inglês e os promotores do evento esperam, mesmo sendo num domingo, uma alta presença de brasileiros - de cariocas. Obviamente, tudo isso será registrado e transmitido para os EUA e demais países, com apoio de nossa imprensa, altamente dependente e servil aos interesses da midia estadunidense.
Já circulam cartazes que exibem Obama e a mensagem de convocação como se ele fosse um pop star ou um grande lider popular, o visual não é a de um imperador todo poderoso e sisuto, mas de um pop star que é presidente. A campanha de Obama para eleição e pós-eleição o transformou nisto mesmo, um herói africano governando os EUA, um negro que superou todo o racismo do país e chegou antes dos demais países ao posto de comando supremo, um negro de nome islâmico no comando da maior nação cristã (argh) do mundo, etc, etc.
Enfim, não bastassem os preparativos que os EUA exigem, que insultariam qualquer pai de familia, teremos algo a mais por ser Obama o visitante.
Obama espera abrir o Brasil e daí o resto da América do Sul, aos projetos de recuperação econômica e politica daquela potencia: Obama concorre com Hugo Chaves e Obama quer renovar as rédeas sobre a nossa economia - o Brasil precisaria comprar mais dos EUA, apesar destes já terem superavit comercial conosco. Mais uma vez o Brasil fica no centro da arena entre dois blocos potentes - EUA e China - como uma mulher gostosa cobiçada por todos, mas que "dá facinho".
Brasileiros, não compareçam ao evento, não compareçam a nenhum lugar, não se importem com as pessoas que - compradas com bolsas e vales disso e daquilo - comparecerão e serão expostas nas TVs e jornais como felizardas ganhadoras de fotos com Obama. A visita de Obama é uma peça de marketing em favor do império e dos nossos chefões amigos do império.
Estendam faixas pretas nas janelas, façam faixas em ingles do tipo "No, You Can't". Mas, por favor, nada de coisas vermelhas ou de figuras como Che ou Hugo Chaves, vamos parar com essa bobagem.
Já circulam cartazes que exibem Obama e a mensagem de convocação como se ele fosse um pop star ou um grande lider popular, o visual não é a de um imperador todo poderoso e sisuto, mas de um pop star que é presidente. A campanha de Obama para eleição e pós-eleição o transformou nisto mesmo, um herói africano governando os EUA, um negro que superou todo o racismo do país e chegou antes dos demais países ao posto de comando supremo, um negro de nome islâmico no comando da maior nação cristã (argh) do mundo, etc, etc.
Enfim, não bastassem os preparativos que os EUA exigem, que insultariam qualquer pai de familia, teremos algo a mais por ser Obama o visitante.
Obama espera abrir o Brasil e daí o resto da América do Sul, aos projetos de recuperação econômica e politica daquela potencia: Obama concorre com Hugo Chaves e Obama quer renovar as rédeas sobre a nossa economia - o Brasil precisaria comprar mais dos EUA, apesar destes já terem superavit comercial conosco. Mais uma vez o Brasil fica no centro da arena entre dois blocos potentes - EUA e China - como uma mulher gostosa cobiçada por todos, mas que "dá facinho".
Brasileiros, não compareçam ao evento, não compareçam a nenhum lugar, não se importem com as pessoas que - compradas com bolsas e vales disso e daquilo - comparecerão e serão expostas nas TVs e jornais como felizardas ganhadoras de fotos com Obama. A visita de Obama é uma peça de marketing em favor do império e dos nossos chefões amigos do império.
Estendam faixas pretas nas janelas, façam faixas em ingles do tipo "No, You Can't". Mas, por favor, nada de coisas vermelhas ou de figuras como Che ou Hugo Chaves, vamos parar com essa bobagem.
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