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Atrás sempre de um ponto de equilibrio e do desenvolvimente responsavel

19.5.11

Eita Brazilzão!

Depoimento de uma professora no RN, realidade de tantos outros professores neste país, traídos pelo próprio povo que diz que a Educação é a coisa mais importante no mundo.

Gente, isso tudo é bobagem, viva a Copa e as Olimpiadas


http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA

Isso não é exemplo de brasileiro, vamos parar com isso, a professora não pode mais pensar como brasileira, chega!  Vamos abandonar essa porcaria!  Vamos construir um outro país, na marra, com determinação para derrubar quem se colocar no nosso caminho!

3.5.11

Obama x Osama

Um presidente negro num país racista, os EUA, querendo se reeleger, após descumprir promessas e beneficiar aqueles que acusava (o setor financeiro e bélico) durante a 1ª campanha eleitoral, querendo se reeleger tendo no cangote uma oposição racista, belicista e fundamentalista cristã, o Tea Party, que o acusa de anticristo, muçulmano disfarçado, etc, etc. Um presidente que na 1ª campanha eleitoral anunciara que tiraria o seu país do Iraque e do Afeganistão – deixou o Iraque em plena guerra civil abafada e há dois meses via o Afeganistão virar um inferno das tropas invasoras da OTAN.


De outro lado, um mito terrorista construído sobre o filho de uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita, aliada da poderosa família Bush, que comandou os EUA por anos. Bin Laden seria rival politico dos reis sauditas que há décadas comandam a Arábia meio de uma ditadura sanguinária acobertada pela imprensa ocidental. Bin Laden foi treinado, equipado e transformado pela CIA em chefe de uma organização terrorista contra a ex-URSS, quando esta tentava manter dominado o Afeganistão. A politica mudou e Laden foi transformado em chefe do terror global após o atentado de 11 de setembro, sobre o qual pairam pesadas suspeitas de, ao menos, ter sido facilitado pelo governo dos EUA, liderado na época por Bush filho, amigo da família Laden.

Os EUA têm sua história manchada por vários episódios de conflitos e agressões a outros países, justificados por fatos criados pelo próprio país: da guerra contra o México e a Espanha no século XIX, passando pelas duas guerras mundiais, pela Guerra do Vietnam, Coréia, sem falar no apoio as ditaduras latino-americanas, desse modo, não é nada diferente dos países que acusa de serem malfeitores, como a ex-URSS atual Russia, ou a China. No Brasil, durante anos negaram – com o apoio da imprensa, da classe politica e intelectual – o apoio ao Golpe de 64, inclusive ridicularizando a denuncia da presença da frota naval no litoral brasileiro, o tempo passou e um dia a história, com “H”, prevaleceu, eles mesmos confessando as participações denunciadas.

Pois bem, agora o presidente Obama, acuado, vem a publico anunciar a execução de Osama Bin Laden, numa mansão no Paquistão, país até então aliado visceral dos EUA. A primeira prova da morte apresentada a imprensa foi descoberta como falsa (foto do rosto) e retirada de circulação, o corpo foi jogado ao mar num local desconhecido, horas depois. E os demais mortos no ataque, sendo que um deles seria a esposa de Laden?

Os EUA alegam que foram cumpridos rituais muçulmanos de sepultamento ante de darem sumiço no corpo – informação essa rapidamente contestada por diversos líderes muçulmanos no mundo. Os familiares de Laden não foram chamados para isso e jogar no mar é um procedimento estranho.

Alegam terem dado sumiço para que não houvesse peregrinação – oras, o cara não era odiado no mundo todo?

Que pudor é esse Tio Satan? Che Guevara foi fotografado morto na Boliva, Sadam Hussein foi filmado sendo arrancado de um buraco, seu enforcamento também foi divulgado, seu corpo fotografado! Por que esse pudor com um troféu de guerra??? Por que mostrar uma foto falsa, descoberta rapidamente como falsa? Por que não expor o cadáver a investigações independentes de DNA, porque atestar por meio de um exame que ninguém sabe como foi feito?

Os EUA são a sede de uma indústria de fakes, de mentiras, de encenações: HOLYWOOD. Desenvolveram ao longo de décadas a arte de forjar versões, estórias, provas, inclusive de ETs. É também a sede da mais poderosa e agressiva indústria de noticias e informações, capaz de abafar qualquer tipo de versão dos fatos que incomode o Tio Satan.

Mas, não se preocupe não Tio Satan, a maioria das pessoas prefere confiar em ti, devotar sua fé em ti, porque é mais seguro e cômodo, alimentar suspeitas sobre você, tão glamouroso, seria um pecado. Querem ignorar que um dia elas mesmas poderão ser vitimas de suas mentiras e armas, mesmo com tanta obediência e devoção – que o digam os iugoslavos.

29.4.11

Hipocritas reclamões

Outro dia ouvia uma popular radio AM, do Rio de Janeiro, quando o apresentador perguntou porque o Rio era tão barulhento como cidade, perguntou a seus convidados, eles todos politicos cariocas, sabidamente "quebradores de multas" e "corretores de leis".  Hipocritamente responderam que faltava educação ao povo!

Politicos falando que falta educação ao povo, logo eles falando isso, quando são responsaveis por votar orçamentos, por fiscalizar o Executivo (se o leitor não sabe o que é isso, explico: o governo) e por fazer leis, aprovar planos, etc.  Os politicos são os maiores responsáveis pela nulidade das leis ambientais e de tantas outras, guiados apenas pela choradeira de cidadãos irresponsaveis que não sabem viver as leis e não querem participar da elaboração delas.  Deixam as leis ruins sairem, para depois descobri-las, deixam as leis boas sairem, para depois tentarem anula-las.

Noutra oportunidade, conversava com um sujeito sobre o Brasil, o cara reclamava disso e daquilo, enquanto tentava fazer uma ligação ao celular estando no volante e que estava roubando a empresa dividida com outros socios.

Ninguem quer dar exemplo, ninguem quer pensar em ninguem, acha que um dia não estará no lugar do outro, que só vai se dar bem sempre.

26.4.11

O que deveria existir

em um codigo florestal:

1. Sem essa de florestal, porque não é apenas a floresta a ter importancia ambiental.  Tem que ser um codigo de flora e de flora terrestre.  Teimar na proteçao apenas das florestas é produto de uma falha de julgamento dos ambientalistas;

2. Se é de interesse publico preservar determinado tanto de area das propriedades, que isso seja tanto para as rurais quanto para as urbanas;

3. Se é de interesse publico preservar determinado tanto de areas das propriedades, que essa preservação redunde em desapropriação ou em subsidio ao dono do imovel, seja ele quem for.  A segurança publica, a saude publica, a educação publica, a conservação das vias, tudo isso é financiado com dinheiro publico;

4. A reserva legal deveria ser abolida, para todos, em troca, o governo teria de ampliar o % de areas preservadas no país;

5. As areas de importancia para a segurança ambiental e interligação de fragmentos deveriam ser obrigatoria para todos, urbanos e rurais, com o governo assegurando de algum modo a conservação delas em parceria com os donos;

6. Os cultivos florestais deveriam ser isentados de estudos de impacto ambiental, a pecuária e a agricultura não fazem isso, porque o plantio de florestas tem que cumprir isso?

Codigo Florestal em ponto decisivo

Semana que vem o novo Codigo Florestal será votado, na verdade, o relatório do deputado Aldo Rebelo.

Ambientalistas e ruralistas estão em pé de guerra, SBPC e outros cientistas tentam dar a sua contribuição, disputando espaço num debate cheio de celebridades; os deputados tentam fazer valer um consenso e a população segue sua vida, a impressão que dá é que não importa o que irá sair dessa votação, ninguem obedecerá.

A avaliação superficial que faço da questão é que a ciencia continua mantida bem longe, o bom senso tecnico e a honestidade politica também.  Ora, se a preservação de areas e de remanescentes são de interesse publico, se os biomas são patrimonio nacional, porque os custos dessa preservação pesam sobre o meio rural enquanto a cidade continua destruindo o que tem?  Se é de interesse publico, por que quem preserva não é remunerado ou beneficiado com isenções?

A briga entre ruralistas e ambientalistas é uma coisa péssima, as ironias de ambas as partes envenenam a sociedade, o tema é importante demais para ficar nas mãos desta gente e mais ainda de artistas, jornalistas, etc. 

Vou dar um exemplo: a definição de faixa marginal de proteção, das larguras, deveria seguir critérios tecnicos, caso a caso, e não apenas o achismo dos 15 ou dos 30 metros minimos.

8.4.11

Aquecimento Global - um grande negocio

Pense nisso:

Variações no clima da Terra já são previsiveis, com base em estudos paleoclimáticos.  Estaríamos entrando numa natural e ciclica era de aquecimento, coisa impossivel de ser impedida, pelas forças da natureza envolvidas no processo, como as variações orbitais e ciclos solares.

Pense então que, alguem muito astuto resolveu tirar proveito politico e econômico disto, usando do poder já existente em suas mãos, para divulgar ao mundo que esse aquecimento é algo inusitado e provocado pelo Homem.

Quem tem a informação e quem se antecipa aos fatos detem um poder crescente, será dono dos fatos.

Usando e abusando dos temores de uma revolta da natureza contra o Homem, temores estes muitas das vezes fundamentados na verdade, esses individuos espertos introduziram esse novo elemento, o aquecimento causado pelo Homem para impor uma mudança tecnologica favorável a seus projetos de poder.

Daqui 100, 200 anos, o aquecimento continuará e nenhuma medida tomada pelo Homem terá surtido efeito, então, os novos milionários e seus herdeiros darão de ombros, dirão que "faz parte" da incerteza do Universo, estarão trilionários e poderosíssimos, uma nova geração de senhores do mundo.

Outra alternativa: o aquecimento continuará e a ineficácia das medidas tomadas, naturalmente inuteis contra um processo natural não revelado, levará os donos do poder que medidas mais duras precisarão ser tomadas... Tirania salvadora.

O consumo dos fósseis só faz crescer...

Vamos pensar nisto?

Superando o Massacre

Ontem, ao longo do trajeto de casa, tentava entender o massacre ocorrido em Realengo e que tipo de consolo seria possível aos que saíram vivos daquilo, aos pais, amigos, etc. Um evento aterrador, porque escapa a qualquer meio de previsão, de qualquer prevenção. É a parte terrível da vida: a imprevisibilidade do Mal. Não se trata de uma agressão anunciada por um bandido, por um país inimigo, não se trata de uma força impessoal, como um terremoto, uma enchente. Trata-se de uma outra pessoa, um jovem, conhecido por alguns, reconhecidamente estranho no comportamento (e daí alvo de chacotas), mas uma pessoa que foi capaz de realizar esse mal.


E o que fazer agora? Neste momento me veio uma única certeza: de que só os fortes podem sobreviver a isso e continuar sua vida.

Precisamos ser fortes para suportar tamanha dor, porque o monstro, mesmo morto, pode continuar matando – mentalmente - as pessoas.

Nossa espécie tem peculiaridades, uma delas é a de não se conformar com os fatos, essa nossa insatisfação natural e crônica com a vida. Entretanto, neste momento, precisamos nos conformar, fazer como todas as demais espécies, pois nada mais podemos fazer para evitar o que já foi feito.

Conformar-se na certeza de que aconteceu foge completamente de nossa razão, de nossa capacidade de prevenir problemas. Fizemos o possível ao longo da vida para manter os pequenos sãos, na escola, etc. Mas não podemos fazer o impossível.

Conformar-se de que do pó viemos e para o pó retornaremos, não importando de que forma retornaremos. Vamos ser fortes, guardar as boas lembranças, deixemos ir os que já estão no outro caminho, precisamos deixa-los ir, porque é bom.

Sim, se pudesse não daria um enterro comum ao malfeitor - me reservo o direito de não dizer o que faria com ele.

A todos peço que lutemos para superar esse drama, não adianta sequer culpar as autoridades, pois o monstro foi muito hábil no seu intento.  Talvez seja uma asneira dizer que não há culpados disto.

Vamos superar, porque precisamos seguir na vida, enfrentando os seus desafios, enfrentando as coisas previsíveis, e as imprevisiveis também, honrando os que se foram, revendo nossos conceitos e na forma como tratamos os demais. Precisamos continuar vivendo.

31.3.11

O DIREITO HUMANO DE BOLSONARO

Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro, é conhecido por ter com principal eleitorado as famílias de militares das três forças, mesmo que nem todos votem nele. É conhecido também por suas opiniões que enaltecem o passado regime militar e relativizam o valor das liberdades individuais, dos direitos da pessoa humana, etc.

Ou seja: todos ou quase todos sabem quem é Jair Bolsonaro. Pois bem, esse deputado participou de uma entrevista em um programa de TV que faz parte de uma linha de humor diferente das até então em vigor na mídia – o CQC – linha que tem causado também constrangimentos e irritação em algumas pessoas, não apenas nos políticos alvejados por suas encenações e argumentações criticas, se não, vale lembrar que dias atrás um dos apresentadores se travestiu de homem bronco que, acompanhado de uma criança, de alegados 10-12 anos, foi a recepção de hospitais, de emergências, acusando o menor de estar “virando gay” e que precisava aplicar nele uma injeção para curá-lo disso. Ironias a parte, tratou-se de uma encenação a meu ver muito pior que os argumentos do Sr. Bolsonaro, pois não apenas usou e abusou de argumentos homofóbicos como envolveu um menor de idade e ainda criou atrapalhou a rotina de alguns profissionais destas unidades hospitalares, assim como irritou várias pessoas ali presentes que aguardavam atendimento.

Pois bem, o Sr. Bolsonaro aceitou participar da entrevista e o CQC a pôs no ar (alguns até alegam que foi editada). As perguntas trataram de temas que, sabidamente, o Sr. Bolsonaro possui respostas ou opiniões que divergem, em diferentes graus, das opiniões de outras tantas pessoas da sociedade brasileira, não importando aqui se elas estão certas ou erradas.

O Sr. Bolsonaro foi indagado e expressou sua opinião, é direito dele, gostemos ou não disso. O programa sabendo quem é Bolsonaro colocou no ar assim mesmo. Lembrar que TV é concessão publica.

As opiniões expressadas sobre a homossexualidade e a relação inter-racial ofenderam os que fizeram as perguntas, celebridades do mundo midiático que sabiam a quem estavam sendo feitas as perguntas e que, no mínimo, tinham noção de quem é o Sr. Jair Bolsonaro.

Pois bem, essas pessoas, com apoio de outros políticos – que agora posam de homens justos e corretos – e da imprensa (inqualificável muitas vezes), estão querendo constranger o Sr. Bolsonaro, obriga-lo a achar bonito o que acha feio, saudável o que acha doentio? Ora! Aonde está a liberdade de expressão, de opinião? Quantos brasileiros hoje, certos ou errados, não estão sendo coagidos neste momento para não expressarem suas opiniões, para se manterem nos empregos, ou para terem segurança ou alguma paz na vida?

A onda do “politicamente correto” é uma onda hipócrita e tão perigosa quanto a do “incorreto”, fulano não teria relações afetivas-sexuais com uma pessoa de outro tipo que não o dele? Paciência. Sicrano acredita que homossexualidade é apenas produto de uma educação errada e que acredita estar evitando isso em sua família? Paciência. Aprendam a conviver com as diferenças senhores defensores das diferenças.

Só falta agora também me perseguirem por telefone ou e-mail.

30.3.11

Para Onde Vamos

Lendo as ultimas analises sobre o andamento das disputas geopoliticas e os planos imperialistas de EUA, China, Russia e países europeus, acendeu em mim uma luz amarela há muito apagada.  Se a nivel global as coisas parecem ter entrado num ciclone imprevisível, internamente, no Brasil, as coisas parecem muito bem - parecem.

O país hoje tem muito dinheiro, mas, como um macaco com uma pistola na mão, o Brasil tem muito dinheiro mas está gastando muito mal.  O petróleo do Pre-Sal a cada dia mais parece uma maldição escondida atrás da porta.  As obras do PAC, os bolsas disso e daquilo, os projetos para a Copa e as Olimpiadas, tudo é maravilhoso visto de cima, mas, as entranhas revelam o velho Brasil sujo, corrupto, perverso e desperdiçador de futuro.

Obama, com seu canto sedutor, encantou meia duzia de zé manés, pobres e ricos, anonimos e famosos, mas, felizmente, a maior parte tem expressado no minimo desconfiança a respeito desse senhor.

Internamente, o Brasil parece muito bem, mas a nova pintura de um futuro tanto tempo adiado, agora chegado, apenas encobre coisas também adiadas ou mal resolvidas.  Alguns aqui no Rio já estão pensando com ironia: "O Brasil vai acabar depois de 2016" tal é o nivel de promessas para até esta data e também o nivel de ausencias para depois disso.

27.3.11

Oba Oba Dia da Terra

Oba oba do Dia da Terra


Neste sábado, 26 de abril, autoridades brasileiras e empresas participaram do Dia da Terra, uma iniciativa da multinacional ambientalista WWF. Monumentos e prédios tiveram luzes apagadas por alguns minutos em favor de um mundo melhor.

Sem ficarmos examinando a WWF ou essa iniciativa, cabe apenas escrever o seguinte:

Enquanto as autoridades brasileiras, municipais, estaduais e federais, junto com empresários, apagam suas luzes por alguns minutos, em nome de um planeta melhor, conduzidos pela iniciativa da municipal ambiental WWF, todos aparecendo muito bem na fita, a verdade permanece:

Ecossistemas são destruídos de forma licenciada, o que dá aos empreendimentos legitimidade, ninguém pode reclamar porque têm licença. As licenças são dadas a partir de análises questionáveis por equipes técnicas mal montadas, mal preparadas, mas subjugadas a chefias comprometidas com os atuais modelos de desenvolvimento – isso quando as licenças não saem diretamente dos gabinetes dos chefes. As licenças são ainda fortalecidas por exigências de compensação ambiental, muitas das vezes ridículas, inúteis, porque os órgãos ambientais não estão preparados para defini-las e executá-las, muitas delas acabam reduzidas a meras peças publicitárias de secretários e ministros de ambiente, e seus projetos eleitorais – travestidas de material educativo. Essa dinâmica está presente em muitas cidades do país, onde a especulação imobiliária e a industria combinam-se com empreiteiras. Nenhum Dia da Terra é capaz de neutralizar isso, nenhuma mobilização charmosa e midiática de ONG tem sido capaz de mudar essa conduta, e não se vê qualquer mobilização neste sentido – mas, quantos agentes de ONGs já não ocuparam em cargos oficiais?

Enquanto as pessoas, as poucas, desligam as suas luzes pela Terra, pela causa defendida pelo WWF, unidades de conservação brasileiras padecem cronicamente de falta de pessoal, de sinalização, de demarcação, de recuperação, de conscientização das pessoas que vivem nas suas vizinhanças, etc. Problemas que permanecem há décadas. Entretanto, quantos milhões de dólares já não foram gastos com projetos baseados na idéia de ajudar as unidades de conservação?

Enquanto você sonha com energias alternativas e forma uma massa de opinião a favor delas, o mercado brasileiro vai sendo conquistado por empresas estrangeiras, algumas bem grandes, dedicadas ao novo ramo, das energias alternativas. Os parques eólicos são todos importados, os painéis solares cada vez mais usados são estrangeiros, a industria nacional agoniza, ou dá pequenos pulos para em alguns anos cair de novo. Até o álcool está cada vez mais estrangeirizado: investidores e empresas de fora estão comprando fazendas e usinas brasileiras. Os brasileiros, como sempre, ficarão com a faxina dos banheiros ou a prostituição nas ruas dos bairros de luxo. Viva o Dia da Terra!

Ambições políticas locais adoram essas oportunidades, de se unirem a campanhas internacionais com entidades famosas, atraindo gente famosa. Será que você já não percebeu ainda como os pop stars da política, daqui e de fora, adoram a causa ambiental? Como é vantajoso empregar um ongueiro famoso num órgão publico ambiental? E os jornais? Que faturam horrores com anúncios imobiliários e propagandas de industrias, dos destruidores, ao mesmo tempo em que abrem blogs falsamente livres, na verdade blogs seus, dedicados a causa verde.

Está demorando muito para termos aqui uma ONG multinacional de combate a corrupção, com artistas de grandes gravadoras e redes de TV e presidentes imperialistas aparecendo como bons moços, pedindo para a gente se negar a ajudar nisso.

23.3.11

Especulações sobre o Futuro Agrário do Brasil

Ao optar por ser uma grande fazenda transnacional, o Brasil cederá cada vez mais as pressões do mercado, principalmente por se fazer fornecedor de economias emergentes como Russia e China. Sacrificaremos todas as nossas potencialidades em favor do abastecimento das listas pedidas pelo mercado e por suas bolsas de commodities. Paralelamente a isso, a sociedade brasileira buscará mais e mais consumir estes mesmos itens, para se sentir inserida na aldeia global, se sentir rica, conforme os padrões importados de vida.


A exploração florestal na Amazonia e nas demais regiões ainda detentoras de grandes matas nativas, legal e ilegal, seguirá até a completa exaustão, não há qualquer limite firme e aceito para essa exploração, a pressão da demanda é cada vez maior e as iniciativas de cultivo florestal se limitam a celulose e carvão industrial. Os contratos de exploração “racional” nas FLONAS são fracos o suficiente para não merecerem crédito.

As commodities continuarão destruindo a biodiversidade e com isso as inumeráveis oportunidades nativas, eliminarão o Cerrado, a Caatinga e confinarão a Amazonia a umas poucas UCs melhor cuidadas.

Todas as alternativas que dependem da adesão oficial estão sujeitas a variação de humor oficial: havendo recursos suficientes para comprar autoridades, a agricultura industrializada pode ter, de uma hora para outra, o domínio total do mercado, com o fim de todos os apoios a agricultura familiar.

Os itens da biodiversidade remanescentes permanecerão medíocres, de mercado limitadíssimo e desprezados pela grande massa da população. Espécies brasileiras serão produzidas fora do país, como pode acontecer com o Açaí.

A agricultura ecológica, ou orgânica, permanecerá limitada pelos preços altos dos produtos, pelos problemas da certificação, pelo misticismo de alguns grupos e pela promoção pesada da agricultura convencional. Continuará sendo uma alternativa viável de alimentação apenas para uma minoria urbana e para os próprios produtores orgânicos, encurralados nas áreas mais problemáticas de produção (ex. regiões serranas).

O Estado brasileiro perderá algumas UCs pela frouxidão administrativa (incapaz de deter as agressões) e por pressões de redução de áreas, outras permanecerão razoavelmente preservadas, por estarem em zonas em esvaziamento econômico ou porque gozarão da função de “vitrines” para patrocinadores.

Mais e melhores terras serão adquiridas por especuladores e por empresas interessadas em produzir industrialmente para abastecimento do mercado internacional. Grandes áreas serão ecologicamente alteradas, com custos expressivos (“pegadas”) para que possam produzir esses itens desejados, como acontece hoje no Semi-Árido (fruticultura e grãos), no Pampa (celulose) e Cerrado (grãos e cana).

A contaminação ambiental e humana por agrotóxicos, transgenicos e fertilizantes aumentará a níveis de quase catástrofe, como aconteceu nos EUA. Uma vez contaminados e prejudicados, importaremos da Europa e de outros países as tecnologias e soluções de produção limpa que nos negamos em desenvolver.

Sustentada por uma agropecuária não sustentável, a população brasileira crescerá em numero e urbanidade, estando exposta perigosamente a variações na oferta de insumos e equipamentos agrícolas e também no clima, devemos considerar também o perigo de ter pouquíssimas pessoas produzindo e detendo técnicas de produção diante dos riscos pandemicos. Problemas graves na economia global, como no petróleo, pandemias ou crises climáticas, poderão levar a fome e sede milhões de cidadãos urbanos.

A riqueza urbana, ainda hoje em parte forjada sobre a produção agrária, crescerá, mas estará cada vez mais vulnerável.

20.3.11

Sorria, o Imperador Te Ama

SORRIA O IMPERADOR GOSTA DE VOCÊ


As demonstrações de deslumbre nacional para com a visita de Obama ao Brasil revelam como nós, ricos e pobres, somos um povo infantil e despreparado. Com essa visita e com as reações demonstradas posso dizer que o Brasil está pronto para servir aos EUA como nunca antes na história deste país.

Não devemos ser de todo amargos ou incrédulos, é possível que a família Obama sinta realmente afinidades com os brasileiros e que veja a nossa parcela parda da população com carinho: os EUA possuem hoje um presidente que tem um grande e inovador alcance político, por sua condição humana, alcance que fura o cerco da elite e chega lá no “povão” – Obama é preto como nós, saiu da pobreza, então Obama não é bacana da Zona Sul, é como nós.

É possível que os discursos de Obama revelem de fato uma afinidade com o Brasil e que ele tenha tentado discursar para nós movido por um sentimento sincero.

Mas, lembremos que ele é um político, que não está aqui por própria conta, e que aqui chega trazido por interesses outros e não apenas os pessoais. Ele representa o império mais poderoso da Terra, a maior economia, a maior potencia militar e tecnológica, a avassaladora máquina cultural e midiática, o porrete cristão e que, a despeito de manter os genocídios de suas guerras, de revelar-se um mentiroso ao seu próprio povo, Obama recebeu o Nobel da Paz, para desmoralização final de um premio hipócrita, como a ONU.

Devemos nos lembrar de que Obama tem como característica pessoal esse gosto de falar para massas, de ser um “pastor”, um bom exemplo a ser disseminado. É de fato um sedutor, ô sujeito para discursar bonito, só Brizola teve carisma semelhante. Então, como sedutor, como conquistador de mentes e corações, ele cumpre maravilhosamente o seu papel.

Os EUA precisam desfazer a péssima imagem que conseguiram com o falso líder cristão, George Bush, porém, o próprio Obama não é mais bem quisto em sua terra, precisa encantar o mundo e mostrar aos estadunidenses que eles estão errados em rejeitá-lo – Obama já começou sua campanha por reeleição.

A possível ruína dos governos pró-Ocidente nos países muçulmanos acendeu a luz “laranja”, de um grave risco de desabastecimento de petróleo. Enquanto os EUA afundam no Afeganistão e no Iraque – sem terem a realização de seus projetos imperiais - enquanto as ex-republicas soviéticas cheias de gás e petróleo não se libertam da Rússia de vez, a China avança, tomando mercados compradores e fontes de matérias primas na Ásia, na África e cada vez mais na América do Sul. Se na Ásia a Índia poderia ajudar os EUA, quem ajudaria na África e na América do Sul? Então, surge o Brasil com o Pre-Sal e sua defesa dos países pobres.

Os EUA nunca precisaram invadir o Brasil, nem tomar um pedaço nosso, nossa elite tem se encarregado há décadas de nos fazer de cães de guarda deles no continente, não temos força militar para enfrentá-los, a nossa só serviu até hoje para massacrar brasileiros rebelados. Nossas mentes não vivem sem os EUA, se eles suspenderem o fornecimento cultural para nós, cairemos de joelhos implorando por rock, holywood, sanduiches, intercâmbios, Disney, coisas cults, Discovery, etc.

Mas, a gestão Lula nos abriu para outros países, nos aproximou da China, da França, nos colocou em debates sobre como abandonar ou furar o cerco dos EUA, do dólar – como construir uma ordem sem a mão pesada dos EUA. Está claro para os EUA que já é hora de reparar o estrago e retomar o papel de grande irmão, acabando com esse assanhamento, mas numa boa, pois os tempos são outros, pegaria mal uma outra reação.

O Brasil também não é mais o mesmo: essa é a terceira gestão de um governo de linha um pouco diferente dos anteriores. O custo da reaproximação será alto, depois de tantos conflitos na ONU, na OMC, do caso do Legacy, da IV Frota, dos vistos, das revistas nos aerportos deles, etc. O governo Dilma abriu a pasta de exigências e precisa manter-se firme. Obama fala, fala, mas nada assina, neste aspecto foi leviano, superficial e, por que não, desrespeitoso: enquanto trata com superficialidade (tratados de intenções são apenas isso) justas demandas brasileiras, tenta cativar o povo daqui, com a figura de um “bom imperador” para quem poderá o povo pedir socorro, no caso de Dilma vacilar.

Apesar disso, foi muito interessante ver Obama elogiar Lula e a evolução do país, durante sua gestão, a uma forte democracia, “o Brasil que já é futuro” – tudo o que a mídia e demais grupos políticos não queriam ouvir de um presidente dos EUA. Bom, sendo tudo isso bajulação, eles não estão se importando.

Conclusão: eu não caio no canto da sereia democrata, negra e liberal de Obama, como não caí no papo cristão, conservador e republicano de Bush, o satanás de Bíblia na mão. Os EUA estão mal, estão em crise econômica, política e moral, o mundo está se arrumando sem eles, porque se cansou deles, a América Latina é seu ultimo e mais proximo quintal, eles não podem nos perder! A mesma sedução será despejada no Chile, alto-falante para os países de língua espanhola, fará o mesmo, sedutor.

Cabe a nós, bobocas, não nos derretermos como os repórteres e artistas da Globo (quanto a Globo pagou para transmitir a estada de Obama aqui? Foi exclusividade foi?). De qualquer modo, o Brasil segue num caminho perigoso, apesar de cheio de dinheiro.

16.3.11

Visita de Obama

Os preparativos da visita de Obama são verdadeiramente os preparativos de visita de um imperador a sua colonia mais festiva e tola.  Obama não terá apenas uma visita protocolar de um chefe de potencia, visitando instituições republicanas brasileiras e associações comerciais e de intercâmbio.  Obama fará, dentre outras coisas, um discurso numa das praças mais usadas pelos movimentos populares de protesto e proposição politica do Brasil, a Cinelândia, no centro da cidade carioca.  Fará um discurso em inglês e os promotores do evento esperam, mesmo sendo num domingo, uma alta presença de brasileiros - de cariocas.  Obviamente, tudo isso será registrado e transmitido para os EUA e demais países, com apoio de nossa imprensa, altamente dependente e servil aos interesses da midia estadunidense.

Já circulam cartazes que exibem Obama e a mensagem de convocação como se ele fosse um pop star ou um grande lider popular, o visual não é a de um imperador todo poderoso e sisuto, mas de um pop star que é presidente.  A campanha de Obama para eleição e pós-eleição o transformou nisto mesmo, um herói africano governando os EUA, um negro que superou todo o racismo do país e chegou antes dos demais países ao posto de comando supremo, um negro de nome islâmico no comando da maior nação cristã (argh) do mundo, etc, etc.

Enfim, não bastassem os preparativos que os EUA exigem, que insultariam qualquer pai de familia, teremos algo a mais por ser Obama o visitante.

Obama espera abrir o Brasil e daí o resto da América do Sul, aos projetos de recuperação econômica e politica daquela potencia: Obama concorre com Hugo Chaves e Obama quer renovar as rédeas sobre a nossa economia - o Brasil precisaria comprar mais dos EUA, apesar destes já terem superavit comercial conosco.  Mais uma vez o Brasil fica no centro da arena entre dois blocos potentes - EUA e China - como uma mulher gostosa cobiçada por todos, mas que "dá facinho".

Brasileiros, não compareçam ao evento, não compareçam a nenhum lugar, não se importem com as pessoas que - compradas com bolsas e vales disso e daquilo - comparecerão e serão expostas nas TVs e jornais como felizardas ganhadoras de fotos com Obama.  A visita de Obama é uma peça de marketing em favor do império e dos nossos chefões amigos do império.

Estendam faixas pretas nas janelas, façam faixas em ingles do tipo "No, You Can't".  Mas, por favor, nada de coisas vermelhas ou de figuras como Che ou Hugo Chaves, vamos parar com essa bobagem.

9.3.11

O BRASIL PODE QUEBRAR

O BRASIL PODE QUEBRAR


Eu não estou só, eu sei, pois, como eu muitos pensam também. O que você lerá aqui é um exercício de reflexão sobre o que estamos vivendo e no que poderemos ter nos próximos anos.

O Brasil parece muito bem: muitas obras bilionárias de infra-estrutura, moradia, muitos bilhões sendo injetados no Pre-Sal, na agropecuária exportadora, nos projetos para a Copa e as Olimpiadas. O bilionário Eike criando vários negócios, herdeiro que é da agenda secreta de seu pai, chefe durante anos da mais valiosa empresa de mineração do mundo, a Vale – valor esse evidente nos muitos negócios e vitórias da empresa pelo mundo.

Uma engenharia contábil tem dado ao governo brasileiro índices muito favoráveis, coisa como superávits inflados, PIBs surpreendentes, etc. Antes que o amigo diga que isso é culpa do governo petista, recomendo que consulte a história.

O Estado brasileiro hoje se vê obrigado a praticar taxas de juros altas, para atrair capitais especulativos, que compram os papéis do governo, que serão resgatados lá na frente, com estes juros, daqui meses ou anos; assim, lá na frente o Estado terá de possuir a grana para pagar estes juros, mas, a esperança é que, estando o Brasil bem, os credores poderão rolar, adquirindo novos papéis, com juros tentadores.

Com essa grana que entra, o Estado brasileiro paga seus gastos e investimentos, muitos deles de má qualidade: as inchadas folhas de pagamento de pessoal, o desperdício por incompetência, negligencia, etc, o que é desviado pela corrupção. Poderiamos dizer que o Estado viveria com 50% menos de gastos, mas, na pratica não vive, porque a gestão publica é péssima, movida por interesses de grupos políticos e de seus aliados privados – é a velha estória. O país não anda conforme a boa técnica, o bom senso, a honestidade, mas conforme o desejo de uma maioria, que renova seus representantes a cada eleição. Os governantes são expressões do eleitorado.

De onde vem essa grana para pagar essa gastos ruins e bons? Vem dos impostos e taxas mil, vem do que é arrecadado nas participações em empresas (como sócio, ex. Petrobrás) e vem destas vendas de papéis oficiais no mercado financeiro.

Mas, o aumento na arrecadação tributária é uma medida ruim em termos políticos, a participação nas empresas depende dos contratos e dos demais sócios, logo, cada vez mais o Estado depende do que arrecada nestas vendas de papéis oficiais, da especulação financeira.

Quando o Estado brasileiro aparece mal, ele se vê obrigado a oferecer mais ganhos e garantias aos investidores.

Porém, parte dos gastos é bancada com empréstimos e financiamentos, parte fica pendurada, como divida a ser paga mais a frente.

Tudo isso forma a tal Divida Publica, enorme. O que aconteceria se amanhã o Estado perdesse a credibilidade? Tudo isso seria cobrado e as propinas sustadas. As tais reservas sumiriam no pagamento das dividas e dos resgates de papéis. O país poderia entrar no vermelho, obrigando-o a ceder, o Brasil seria cedido, os negócios dos donos do poder não.

Os donos do poder mantem o controle da situação com forte participação da grande mídia, seja pela imprensa, seja pelas novelas, campeonatos televisionados, programas de auditório, etc. Circo. E mais circo virá se os preços dos itens politicamente valiosos forem forçados para cima. Isso pode acontecer se uma crise internacional explodir. Como assim?

A vida brasileira está alicerçada por uma lista de itens – alimentos, combustíveis, comunicações, roupas, lazer, etc – que tem seus preços ditados pelo mercado internacional. Os que produzem e oferecem esses itens não querem perder, ninguém quer, logo, procuram manter seus preços vinculados as bolsas e sistemas internacionais. Se houver pressão de alta, eles subirão os preços. O Estado brasileiro, sendo parceiro maior da Petrobrás, tem mantido o preço dos combustíveis artificialmente nivelado, porque sabe do perigo político de deixa-lo flutuante: gás, diesel, gasolina e demais derivados do petróleo entram na formação dos preços de vários itens, dos pneus ao reparo em estradas, do pão a picanha, do açúcar ao papel.

A globalizar-se, o Brasil demonstrou ter uma pequena lista de itens negociáveis, basicamente agropecuários e extrativos (grãos, carnes, madeiras, minérios...), porque sempre manteve acanhados os outros setores produtivos. Para ampliar os espaços de venda destes produtos, o Brasil aceitou destruir seu parque industrial, abrindo espaço generoso e suicida para importados: eu aceito seu frango, mas você tem que deixar eu inundar seu mercado com minhas câmeras e tecidos, eu quero o seu minério, mas não quero comprar seus tratores. E investidores estrangeiros entraram comprando fazendas, usinas, terras, ou montando beneficiadoras de grãos e carnes, ou entrando como sócio capitalista – o campo também vai sendo desnacionalizado.

Não tendo investido em educação, porque educação tende naturalmente a clarear idéias, a fazer pobres disputarem espaços com ricos e a criar problemas para os tiranos, o Brasil passou a ser a “gostosa da vez” dos investimentos, entretanto, por falta de educação, está se perdendo: o povo não tem sabedoria para bem gastar e bem investir, e não há mão de obra qualificada suficiente, assim, o Brasil poderá desnacionalizar seu mercado de trabalho!

Isso tudo não seria problema se essa desnacionalização fosse apenas um mal necessário a qualificação do país como potencia industrial. Infelizmente, os altos impostos e as muitas outras dificuldades para empreendedores industriais, desanimam e tornam o imenso mercado brasileiro para bens e serviços do setor terciário e secundário (serviços e indústria) presa fácil da desnacionalização.

Enquanto isso, nossos cérebros, muitos deles formados em universidade publicas, financiadas com dinheiro publico, estão indo embora, para sustentarem o progresso de outros países, de onde importamos conhecimento, tecnologias, patentes, bens prontos, etc.

Desenvolver o próprio parque de conhecimento e tecnologia, alavancar o parque industrial e superar o atraso dependem de grossos investimentos e de compromisso com o país, infelizmente, o Estado gasta demais e mal, o setor privado não tem visão ou não se sente seguro para investir, e os interesses de grupos estão acima dos interesses do país. O nacionalismo só é lembrado quando os canalhas se vêem ameaçados por concorrentes estrangeiros mancomunados com inimigos políticos – há sempre alguém aqui ganhando com a traição ao país.

Muita gente está ganhando com a manutenção deste sistema infame que anula a capacidade inventiva e produtiva nacional, muita gente está ganhando com a abertura do mercado a importados a preço de banana.

Parte do capital que poderia ser aplicado nesta arrancada está sendo gasto hoje para rolar dividas do Estado e o pagamento dos juros praticados nos papéis do governo, negociados no mercado financeiro.

Muita gente está ganhando muito com a ajuda ao governo em sua atuação no mercado financeiro, muita gente assessorando, consultando, fazendo corretagem, etc.

E, dentre as autoridades que determinam a atuação oficial no mercado financeiro, estão os agentes de grandes bancos, como no caso do COPOM. Esses caras, obviamente, querem mais é que o governo se enrole no mercado financeiro, que mantenha os juros altos, porque eles ganham muito com isso, porque negociam esses papéis e porque fazem grandes negócios baseados nestes juros extorsivos, que eles tratam de aumentar ainda mais, a pretexto de que o mercado brasileiro continua arriscado.

Se o governo cortasse a farra da gastança, não precisaria tanto do mercado financeiro para arrecadar dinheiro. Ma, cortar a gastança é criar uma crise política descomunal. Mais uma vez, interesses de grupos ditando a vida nacional.

Se o governo cortasse a farra dos contrabandos e descaminhos, dos tráficos, do crime organizado, certamente criaria outro problema politico.

Pois bem, se no contexto internacional surgir algo mais atraente que investir nos papéis brasileiros, o Brasil entrará em crise. Se neste contexto internacional surgir algo que eleve em muito os custos do Brasil e reduza os ganhos das exportações, o país entrará em crise.

A medida que se desnacionaliza, com grossos capitais externos controlando mais e mais os setores mais exportadores e os que importam, a tendência é que estes forcem a queda dos preços de matérias primas, das commodities, derrubando os ganhos que aqui ficam.

Com o custo da crise financeira recente sendo transferido para os outros países que escaparam, teremos uma crise enorme. Uma disputa comercial e industrial entre EUA e China, previamente acordada entre eles, matará a nossa industria – isso já está acontecendo. Teremos de produzir mais commodities ainda, e com mais prejuízos ambientais, para cobrir as importações. Com o setor financeiro deles sendo mais interessante, o nosso perderá valor e o Estado entrará em crise para pagar seus gastos, assim, mais impostos e taxas, mais arrochos, preços mais altos no mercado interno, menos crédito, resultando em calotes, quebradeiras, vendas a preço de banana, mais desnacionalização...

Os grandes gastos em obras e serviços publicos terão de ser pagos de alguma forma, e aí entrarão compromissos políticos infames, o Estado privatizando-se em segredo para empreiteiras, multinacionais, fundos de pensão, máfias políticas, etc.

E todos estes grandes interesses se unirão para manter a estabilidade política interna, para calar as revoltas e transformar justas demandas do povo em atos e idéias subversivos, criminosos.

A nossa única saída seria um golpe certeiro e mortal nesta multidão de malfeitores que forma as várias máfias políticas no país, envolvendo prefeituras, governos, tribunais, parlamentos, fundos de pensão, marqueteiros, partidos, mídia, sindicatos, associações, maçonarias, igrejas, clubes de futebol, forças armadas, etc.

Nossa revoluções industrial, tecnológica, educacional, de defesa nacional, tributária, política, etc, etc, só serão bem sucedidas se previamente varrermos do mapa essa gente. Do contrário, toda e qualquer boa idéia será desvirtuada, transformada em fonte de safadezas, porque tudo passa por eles, tudo depende do aval deles.

E isso não pode depender da participação da maioria da população, porque a maioria não quer nada, segue na onda, é como folha seca ao vento, vai para onde o vento soprar.

Quando a nova crise vier, com os EUA e Europa empurrando a conta sobre os países emergentes, os governantes destes países empurrarão a conta para o seu povo, nós, e depois de nós não tem mais ninguém.

28.1.11

Manipulação Global

A Globo tenta nos passar a imagem - e sobre muita gente tem conseguido - de ser a paladina da verdade e legitima representante da sociedade, representante eleita pelos indices de audiencia e pelo grau de participação (interatividade) dos telespectadores, internautas, etc.  Mas, aqueles que colaboram com a Globo (ou a Record ou a Band, se preferires) precisam rever sua conduta, não só porque estão viabilizando lucros faceis da empresa como dando a ela respaldo politico, meios para obter credibilidade, etc.

A Globo é manipuladora, discipula e parceira que é das grandes redes de midia dos EUA, as mesmas que viabilizaram a mobilização dos cidadãos daquele país em favor da barbarie no Iraque e Afeganistão.  Pois bem, duas demonstrações singelas da iniciativa manipuladora estão aqui:

"Saiu hoje no Bom Dia Brasil materia sobre uma fabrica de refrigerantes no MT que deu premio humilhante a funcionário. A matéria não diz o nome da fabrica, afinal de contas, grande anunciante da empresa, mas, pela imagem rapida dá pra ver que é a COCA COLA, essa toda politicamente correta....


http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/01/justica-de-mt-indeniza-homem-por-levar-trofeu-lanterna-no-trabalho.html

Ao mesmo tempo que omite informação, ela manipula imagens, sem som, encaixando-as fora do contexto na pauta jornalistica, como foi o caso da noticia da reunião ministerial de Dilma em Brasilia, onde se discutiu, dentre outras coisas, a liberação de dinheiro para a região serrana do Rio, pelo video, sem som, encaixado no meio do triste noticiario da desgraça, aparecem ministros e Dilma rindo, depois mostrados já sérios. Ao telespectador atento, ficou evidente a sordidez da equipe jornalistica do JORNAL NACIONAL, obviamente, a equipe de governo não estava rindo da desgraça alheia - nem fariam isso na frente das cameras, se fosse o caso - veja:

http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/v/reuniao-discute-liberacao-de-dinheiro-para-prefeituras-atingidas-pelas-enchentes/1411064/#/Edições/20110114/page/1

Divirta-se

26.1.11

Tome um Porre

Dias atrás, no trabalho, nossa equipe estava sob uma pressão enorme para resolver uma questão, no final do dia mas não do trabalho (que continuaria no dia seguinte) meu superior (também sob a pressão) me disse: "faça como eu, tome um porre, alivia pra caramba, vez em quando eu faço isso, principalmente depois de uma pressão dessas".

Olhei para ele e lhe disse: "eu não sou escravo" e expliquei, na verdade apenas lembrando a aquele macaco velho, que a lógica da exploração é essa, nos submetemos para satisfazer os caprichos de um patrão irresponsavel e ambicioso, em vez de estabelecer limites e dizer "não" na hora certa, ao nos submetermos sem limites agimos como escravos e isso é confirmado quando exaustos no final do dia enchemos a cara, a pretexto de ter prazer, ou descarregamos em nossos familiares, que nada tem a ver com isso e que nos esperam no final do dia.

É a velha estória da cachaça e a relação de trabalho entre camponeses e fazendeiros, do uisque e a relação de trabalho entre patrões e operários e funcionários de escrítório, das brigas nas portas de botequim no fim do expediente, da porrada dada na namorada ou na esposa, ou nos filhos.

E o mal não para por aí, que o digam os estadunidenses, com seus filhos literalmente abandonados nas mãos da industria das drogas amigada com a prostituição e a industria musical, para que a América do Norte continue sendo a potencia irresponsavel e ambiciosa de sempre.

Resista!  Diga o seu "não", imponha limites.

16.1.11

A LIÇÃO DA SERRA

A sensação que tenho diante das informações da catástrofe na região serrana do RJ é de que nada disso servirá de lição e que as medidas necessárias não serão tomadas.  Entretanto, uma outra parte de mim vê no governador Sergio Cabral um politico de nova geração e com outros desafios - 2014 e 2016 - e algo me diz que poderemos ter uma mudança, a adoção de 50% das medidas necessarias, o que já seria muito bom.

O que você lerá aqui é um artigo duro e intragável, mas cujo teor não deve ser desprezado, em nome da tua propria vida! 

A tragédia está composta de dois fatores potentes: 1. o fator natural, um periodo chuvoso extremo, resultante de dois processos meteorologicos; 2. o fator humano, a farra das ocupações e conversões negativas do uso do solo.

O fator natural pode ser atribuido a soma do corredor de umidade que liga a Amazonia ao Centro-Sul (potencializado pelas mudanças em curso há 30 anos na Amazonia) com o fraco anticiclone extratropical que se formou no oceano, bem longe, mas bastante ativo para puxar a umidade do mar e de terra.  Ver as fotos do GOES neste link:
http://www.inmet.gov.br/projetos/sepis/GOES12/AMERICA_SUL/AS12_IV201101110245.jpg

Foram horas e horas de chuva resultando num volume proximo ao que caiu em abril na capital, a cidade carioca.

Dificilmente uma região coberta por florestas e dotadas de rios preservados consegue sair ilesa de uma pressão pluvial como essa.  Porém, estando o ambiente alterado e, em alguns casos, bastante alterado, o choque é devastador.  Fosse uma região preservada e distante, certamente sequer saberiamos do problema, como é a rotina na Amazonia, por exemplo.

O fator humano é o grande e decisivo complicador.  A região serrana vem há pelo menos 30 anos sendo carcomida pelo sonho urbano, principalmente dos cariocas, de ter um refugio montanhês, viabilizado pela industria imobiliaria.  Esta, como sempre, despreza as leis ambientais e o bom senso tecnico, para não entrarmos na questão das fraudes de cartório, uso da pistolagem contra posseiros, etc.  Essa industria, como sempre, financia os politicos amigos, simpáticos aos seus interesses, tornando-os campeões a cada eleição municipal.  Conta também com prestimosos funcionários publicos, que aprovam projetos e travam fiscalizações, fazendo mal uso de seus cargos de chefia.  Com isso, o sonho do paraiso montanhês é viabilizado, como se fosse algo puro e inofensivo, para nós, cidadãos urbanos, que não estamos nunca muito preocupados em saber da idoneidade dos nossos benfeitores imobiliários.

Acontece que, para este sonho ser materializado, precisamos de servos, ora bolas!  Gente mal paga para fazer faxina, vigilancia, para construir, para fazer reparos, para nos servir nos restaurantes e bares, para cuidar dos jardins e produzir nossa comida, ou para cuidar de nossos animais de estimação.  Essa gente irá morar aonde?  Irá morar nas invasões e favelizações, estas outras fabricas de votos, mantidas sempre na pindaíba para que o voto saia barato e facil ao politico que poderia acabar de vez com a pindaíba.

As favelas surgem nos piores terrenos, desprezados pelo especulador que espera ganhar mais.  Os condominios surgem nos melhores terrenos, expulsando a atividade produtiva agrária, dos criadores e produtores.  Na serra, culturas de morango, de hortaliças, foram substituidas por loteamentos caros.

E todos violam as leis ambientais, porque o espaço é pouco - sendo pouco, pouca gente deveria estar ali, mas... Sempre há um jeitinho.  Espaço pouco?  Ocupemos as margens dos rios e as encostas.  Oras, rios de montanha são perigosos, falsamente seguros, são rios que crescem com as chuvas, é de sua natureza.  As encostas de montanha também são frageis, seu solo é uma casca argilosa assentada sobre rocha, íngreme e escorregadio.  Não há segurança nisso, é óbvio.

Dizem agora que os prefeitos - nunca se fala dos vereadores - não avisaram ninguem, que passaram a vida toda mentindo.  Ora, esse povo não vê TV?  Não lê jornal?  Ou será que assiste, por vontade própria, livre escolha, a essa programação vagabunda das radios?  Será que lê apenas os jornais sangrentos e eróticos, os mais baratos?  Será que só presta atenção no BBB?  Na novela?  No futebol?  A resposta é SIM.

Mas, e o que dizer dos ricos que sofreram também?  Ah... Começamos a encontrar razões comuns.  A razão comum é essa: o azar só cai sobre os outros, sobre mim não.  Por que deixarei de aproveitar uma oportunidade?

Quem conhece a região serrana sabe que chuvas fortes, cheias e deslizamentos são uma rotina anual, morre um ali, outro perde um quintal, mas vai-se levando, porque o prazer e o ganho compensam.

Pois bem, Deus decretou o fim da impunidade, da farra.  A uns deu uma segunda chance - que agradecem dizendo que "só Deus mesmo" - a outros esse mesmo Deus levou (desta autoria ninguem se lembra, conveniente a mente humana) ou arruinou, deixando só com a roupa do corpo.

O que Deus quer - e ouso dizer isso - é que não vacilemos da proxima vez, porque terá outra.  As coisas são como são, cabe a cada um viver de forma que não vire presa, vitima, amanhã, não sendo mais mal ou burro que já é, mas sim mais prudente, humilde, mais comedido, mais sábio.

O que cabe agora?  Enterrar os mortos, devolver a vida aos sobreviventes e organizar uma reconstrução que não refaça os abusos punidos, mas dê para a região uma ocupação lucida, digna e respeitosa.  O que cabe agora - caberia - é apurar responsabilidades, mesmo que pareçam tão difusas.

A sociedade tem uma oportunidade de ouro, lambuzada de sangue e lama, de fazer melhor.  Terá ela interesse nisso?

13.1.11

O Caos das Chuvas

Razões para os episódios em curso:


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1. quem mora no leito maior de rios e corregos está sujeito a padecer quando há cheias além do habitual; quem mora em regiões serranas íngremes está sujeito a padecer quando chuvas ultrapassam a capacidade dos terrenos de escoa-las com segurança, fazendo descolar a capa de solo, com ou sem floresta.

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2. tecnicamente, sabe-se que há um ciclo de recorrencia de grandes eventos, esse dado é levado em conta, p.ex., nos projetos de barragens e hidreletricas - normalmente, o projeto estima em 30 anos o tempo para recorrencia - mas isso não é levado em conta pelos arquitetos que planejam loteamentos ou a expansão das cidades, aliás, por incrivel que possa parecer, os arquitetos e urbanistas não são profissionais qualificados para tratar de planejamento territorial - apesar do CREA dizer que sim.  Não têm nos seus cursos a formação em ecologia, geologia, climatologia, nada relacionado ao meio e com substancia.  A sociedade, crente na mistica do saber destes profissionais, embarca nos projetos que um dia se revelarão danosos, burros.  Ok, há exceções.
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3. quando uma encosta desaba sobre o leito de um rio, ele entope o rei, barra a corrente, que não para de descer e que, num determinado momento, rompe a massa de sedimentos e escombros, criando uma "tsunami" de lama, pedra e escombros, numa furia varias vezes mais destrutiva que a enxurrada original.
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4. o desmatamento da Amazonia, a partir do norte do MT, estaria favorecendo a liberação mais rapida e volumosa de vapor de agua - antes retido e liberado de forma dosada pela floresta - com isso, mais vapor de agua entra no fluxo atmosferico, que faz a curva de sempre (de sempre) sobre a Bolivia e volta-se para o Centro-Sul. Assim, nos ultimos 40 anos, o avanço da exploração floretal PREDATORIA e dos usos alternativos do solo (lavouras e pastagens), vem favorecendo chuvas mais pesadas no Centro-Sul.
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5. Ao chegar aqui, esse vapor de agua encontra mais vapor de agua, dos locais daqui sem floresta e da evaporação do mar. Percebam que não é frente fria, como diz a imprensa, mas frente quente, que vem do Oeste e não do sul, pelo corredor de umidade amazonia-pantanal.
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6. São Paulo não teria mais garoa? Assim como todas as cidades não têm mais orvalho, isso se deve ao fenomeno "ilha de calor", que impede que seja atingido o ponto de orvalho, pois a atmosfera urbana é mais aquecida.
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7. a atmosfera é mais aquecida não apenas pela alvenaria que acumula calor durante o dia e o libera a noite, mas, pelo calor liberado por maquinas eletricas, iluminação e a combustão.

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8. as cidades seguem os interesses da especulação imobiliaria, das industrias e dos construtores, eles financiam os politicos, que obtem votos da população que, EM BOA PARTE, acha frescura ou exagero os alertas de tecnicos, PRINCIPALMENTE DOS TECNICOS DE ORGÃO PUBLICOS, anonimos, que preocupados com o publico e não com fama, tentam inutilmente sensibilizar cidadãos e autoridades, e reprimir os abusos. A sociedade aposta na impunidade, que tudo vai dar certo, daí ocupa as margens de rios, as encostas, os brejos, as praias, tudo, de forma inadequada. Profissionais sem qualificação e idoneidade habitam orgãos de planejamento municipal e de urbanismo, legitimando os interesses dos predadores imobiliarios, é gente que tem o dever de fazer a Lei ser respeitada, mas que despreza algumas delas, como o CODIGO FLORESTAL, imposto apenas sobre a parte rural da sociedade brasileira.
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9. Resultado dos abusos?  Em São Paulo estão investindo altas somas na construção de piscinões, futuros problemas sanitários, porque os brejos foram extintos.  Estão investindo em poderosos conjuntos de bombas, para escoar aguas, porque desfizeram o sistema natural de drenagem.  No Rio de Janeiro, capital, novas areas frageis e problemáticas estão sendo tomadas pela cidade, a despeito de alertas tecnicos.
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A imprensa é boa amiga dos violadores, pois vive de anunciar lotes, casas, condominios e apartamentos, antes mesmo de terem licenças - o que é crime.  Vende espaço publicitário sem ao menos ter a decencia de verificar se os imoveis estão regulares - é business seu tolo (digo pra mim mesmo, não se sinta ofendido).
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Os politicos há décadas faturam apoio doando lotes ou registros de regularização de moradias, esperteza de ambos os lados.
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Quando as coisas apertam, com fiscais tentando agir, se os politicos não conseguirem frea-los, entrarão em cena os parceiros da Justiça, seus amigos de sociedade secreta, secular: juizes, desembargadores e promotores tratam de anular atos punitivos, remoções e denuncias.  No final, todos se dão bem, até o dia em que a Natureza, ou Deus, resolve sanar a impunidade coletiva.

5.10.10

Golpe contra a Democracia

Tentar impedir que Tiririca assuma o mandato para o qual foi eleito com quase um milhão e meio de votos é um golpe contra a democracia.
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Alegar que ele não pode assumir se não souber ler e escrever é a mais clara demonstração de como a justiça eleitoral (com "j" minusculo mesmo) e as regras partidárias não valem nada, porque isso deveria ter sido visto lá atrás, quando ele entrou no partido e se candidatou.
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Goste-se ou não, Tiririca foi alçado a candidato com o "sim" de alguem, registrou sua candidatura no TRE de SP com o "sim" de alguem e foi eleito com o "sim" de mais de um milhão de votos.

4.10.10

A Falencia do Sistema Politico Eleitoral

Voce se encaminha para entrar no onibus urbano e então o fiscal barra seu caminho, perguntando se voce tem carteira de motorista de onibus, voce, atônito, responde que não e então é impedido de entrar, sob a alegação de que não tendo carteira não pode viajar de onibus, voce olha o motorista e pergunta se ele tem, e ele te responde que não, mas que para dirigir não precisa disso.

Essa é a lógica que impera no país quando para se candidatar a um emprego publico voce tem que provar que está em dia em um monte de coisas e ainda tem que fazer concurso e provar que é capaz profissionalmente.  Entretanto, quem pretenda a funçao de chefe de funcionários publicos, de dirigente, não precisa provar quase nada, não precisa fazer curso, nem prova.  Para ser ministro, secretário, prefeito, deputado, ou mesmo presidente da republica, não é preciso de curso e nem de provas.

Conclusão: saber dirigir um carro é mais importante para o país que saber administrar pessoas e recursos publicos.

O Tiririca foi eleito com mais de 1,3 milhões de votos, entretanto, só depois de eleito é que ele está sendo posto a prova, porque alegam que ele não é alfabetizado.  Deveriam ter visto isto antes, quando ele entrou para um partido e se fez candidato.

O Supremo Tribunal Eleitoral poderá impugnar a eleição de vários candidatos, baseado na Lei da Ficha Limpa - oras, isso não deveria ter sido visto antes?

Muitas pessoas estão indignadas com a eleição de figuras como Tiririca e Romário, nas duas maiores capitais do país.  Pois é, no Rio e em São Paulo não pode.

O povo sabe escolher seus representantes, o povo é bombardeado todos os dias com a valorização dos imbecis, enquanto que os politicos diplomados esbanjam incompetencia, má vontade e corrupção.  Os que veneram bbbs e bundas falantes, craques do futebol e apresentadores de TV ou rádio, estão votando neles, eles são seus representantes, é justo.  Se há um culpado nisto, eles são os donos e programadores das midias brasileiras!

O mesmo se pode dizer a respeito da ascensão dos fanáticos religiosos, notadamente os católicos e os evangélicos, isso porque há anos estamos dando espaço para os fanáticos se impurem, porque uma boa medicina é sonegada ao povo, porque uma educação sábia e acessível é sonegada ao povo, porque a ciencia se nega a falar ao povo, porque a angustia cresceu e não encontrou cura pelos homens que se consideram cultos.

O sistema eleitoral repercute tudo isso, o problema está nele?  Sim, mas ainda mais na propria sociedade, mais ainda nas pessoas que poderiam mudar o cenário.