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Atrás sempre de um ponto de equilibrio e do desenvolvimente responsavel

24.8.10

CBF e Novo Centro de Treinamento

No ano passado a CBF reuniu representantes da FIFA, do governo estadual do RJ e da Prefeitura do RJ, para lança a pedra fundamental do novo centro de treinamento da entidade, num terreno na Baixada de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, capital, bem ao lado da futura Vila Olimpica de 2016.  Muita euforia.  O Ministerio Publico já se preocupou.

O local está a jusante da APA das Tabebuias, uma pequena UC criada para enquadrar um empreendimento imobiliario que ia destruir remanescente de ecossistema a perigo no municipio carioca - e que continua a perigo.  O terreno previsto para o centro é um brejo, uma area alagada.  A região é quente e infestada por mosquitos, totalmente diversa da Granja Comari, em Teresópolis - por que a CBF vai sair de Comari, lugar lindissimo e agradável, são, para ir se instalar naquele lugar tórrido e insalubre?  Será que Comari será vendida para virar empreendimento imobiliário?

Conforme noticiou a imprensa, o terreno em Jacarepaguá foi comprado pela Prefeitura e doado a CBF...?  A CBF com seus milionários contratos com a Nike, a CBF dirigida pelo Sr. Ricardo Teixeira, que convocou Dunga com o intuito de acabar com a era "boate-pagode" que entregou a copa anterior, naquela mexida de meia de Roberto Carlos.

As obras do novo centro deveriam ter começado nos primeiros meses de 2010, mas não aconteceram até agora.

Da Dificuldade de se Mudar o Brasil

Não são poucos os brasileiros que esboçam ideias de mudança no país, sejam mudanças setoriais ou pontuais, sejam mudanças de alcance maior, nacional.  Outros saem do campo das ideias e vão para a ação, como no caso da Ficha Limpa.

Mas, as mudanças, quando ocorrem, vem a passos de tartaruga e pontuais, podendo ser neutralizadas pelos malfeitores, uma questão de tempo.

A Ficha Limpa, p.ex., é uma boa ideia, mas está a mercê daqueles politicos mais astutos e precavidos, que podem desarmar as denuncias quando chegam no Ministerio Publico, ou numa delegacia, ou num orgão de fiscalização, por suas relações de amizade e interesse.  Se prestarmos atenção, p.ex., na Maçonaria, veremos ali como politicos, juizes, promotores, jornalistas, advogados, empresarios, se relacionam e troca ajudas.  É só uma hipótese.  A denuncia que caia em mãos erradas será calada, perdida nos meandros burocraticos ou guardada numa gaveta, para ocasião oportuna - como acontece frequentemente com a imprensa, com certas denuncias que a ela chegam.

Os politicos manjados não têm como escapar, o Ficha Limpa é realmente um transtorno para eles, digam o Srs. Roriz e Maluf, mas, estou esperando o mecanismo pegar o Cesar Maia, do RJ. 

Os projetos de leis revolucionarias têm de passar pelo crivo dos parlamentares, de seus partidos, não havendo pressão popular, caem no esquecimento, havendo são empurradas, a espera do esfriamento de animos, para ser engavetada; não havendo esfriamento, anda-se com os projetos, tramando-se a ocasião para altera-los conforme a conveniencia.  Não havendo ocasião, o projeto passa - ufa! - mas ele pode sair mutilado, desvirtuado, fora isso, temos a via crucis, o da aplicação. 

E aí temos outros problemas: o Estado desaparelhado para a aplicação da Lei, fiscais de menos, boa parte incompetente, chefias de mais, também boa parte incompetente e oportunista, falta de recurso materiais, excesso de demandas, interferencia politica... Isso para as leis que passam.

A democracia é um exercicio árduo mesmo, uma maratona com obstáculos e manés querendo nos agarrar e nos jogar no chão.  Por isso, antecendendo qualquer projeto de lei tem que haver uma ampla reflexão e um bom comprometimento de muitos com a causa.  Hoje, esse comprometimento passa pelos abaixo assinados online, que, acredito, um dia perderão o respeito.

Por fim, me preocupa o papel da imprensa ou da grande midia, que continua limitando-se a tratar as questões com superficialidade e tendenciosidade, quando não se omite, como no caso da democratização dos midias.

E a briga continua

Sob o pano morno das eleições continua o embate de forças sobre a revisão do Codigo Florestal.

As ONGs ambientalistas, lideradas por Greenpeace, ISA, WWF, etc, encontraram um sujeito disposto a briga (e com competencia): Ciro Siqueira, agronomo do Pará, que se transformou no mais acido critico do ambientalismo e o mais ardoroso defensor da extinção do Codigo Florestal.  Ciro de certo modo representa os interesses dos proprietarios rurais amazonidas e, porque não, de outros tantos do país.

Infelizmente, a briga do CF permanece restrita as propriedades rurais e aí está uma grossa injustiça.  As cidades hoje colecionam um grande passivo ambiental, seja dentro de seus muros, por conta dos empreendimentos imobiliários e construções publicas - como é o caso do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, de Manaus, Salvador, Brasilia, etc, seja fora, porque as cidades vivem do cimento, da carne, da soja, do leite, da madeira, do pescado, do milho, que são produzidos por atividades que ocuparam o lugar das florestas, brejos, restingas, cerrados e caatingas.  Empurrar o ônus para cima do proprietário rural é muito cômodo, ele está em minoria, o voto de um fazendeiro é atropelado facilmente por 500, 1.000, 10.000 votos urbanos.

O Codigo Florestal precisa ser revisto, assim como toda a politica ambiental e de desenvolvimento.  Não podemos consentir que na Mata Atlantica, com menos de 7%, se exija RL de 25% apenas.

Toda a divida ambiental da sociedade brasileira, relacionada a agenda verde, está hoje no lombo dos proprietários rurais.  O que é de interesse publico não está sendo assumido pelo poder publico, mas empurrado para o privado.  A mira das ONGs e da sociedade deveria ser mudada, para o Estado brasileiro.  A onda de queimadas no Brasil central testemunha o quão o Estado está omisso, enquanto não se cansa de bater nos proprietários rurais, que têm sua dose, mas nem tanto.

O ambientalismo BR precisa encarar o problema corretamente.  Enquanto isso não acontece, o embate continua, troca de ódios, enquanto o Estado permanece como está, e a situação geral também. 

1.8.10

Correndo Atrás do Prejuizo

Matéria do Globo Rural interessante mostrando o empenho de proprietarios de terras no Mato Grosso, cabeceira do Xingu, em compensarem os danos ambientais gerados nas APPs.  Há aspectos tecnicos interessantes para se discutir devido as caracteristicas especificas do caso.

http://globoruraltv.globo.com/GRural/0,27062,4370-p-20100725,00.html

Parabens aos produtores, liderados pelo John Carter.

Boicotes, multas e pressões sobre a imagem dos produtores surtem efeitos.  Infelizmente.  Mas, duvidas surgem:
1. O Governo Federal quando atraiu produtores para a Amazonia com incentivos desconsiderou o Codigo Florestal ou houve abuso dos produtores sob a vista grossa de agentes publicos?
2. As multas são abusivas ou não?  Não pode uma multa levar o produtor a vender suas terras e benfeitorias, como não pode obrigar ao fechamento de uma industria ou uma imobiliaria?  Ou pode?
3. A erosão das terras é a herança que os pais desbravadores estão deixando aos filhos, tudo igual ao "sul maravilha";
4. Os indios estão preocupados com o que lhes chega com os rios e pelo ar, pois estão a jusante dos lançamentos de agrotóxicos e da erosão/
5. Invasores estão afetando as RL e APPs de produtores, esses invasores são responsabilidade de quem?  Dos produtores?  Do MST?  Do Incra?
6. Qual o papel dos órgãos oficiais na condução desse esforço de recuperação das areas?

As tecnicas que estão sendo utilizadas no reflorestamento são diversas:
1. acabar com a pastagem e cercar as areas, para haver regeneração natural;
2. semeio mecanizado de coquetel de sementes, leguminosas de ciclo curto sombreadoras/nitrogenadoras com arvores pioneiras e secundarias;
3. plantio de mudas produzidas em viveiros;

13.7.10

Ser ou Não Ser

O individuo chega pra mim e diz "nossa, uma vergonha, dá vontade de denunciar, mas não vou me meter nisto não, não vale a pena o aborrecimento" - pois é, e assim vamos e eu, quando percebo que alguem quer me contar um escandalo, uma denuncia, já mudo de conversa.

Hoje, não raro os queixosos contra as bandalhas do cotidiano clamam "cadê a sociedade civil organizada?"

Não tem, e quando tem está comprometida com politica partidária.

O que aconteceu?

Hoje temos no Brasil milhares de ONGs ambientalistas e sociais, as entidades que congregam a tal sociedade civil organizada.  As ONGs são clubes, sindicatos, partidos politicos, entidades ambientalistas, associações profissionais, etc.  Nasceram pelo interesse de alguns em organizar forças em prol de um objetivo que se supõe publico, ou de muitos, da sociedade, difusos, etc.

Defensores de matas, observadores de pássaros, amigos do bairro, clube de engenheiros, partidos do p do b, associação das lavadeiras do rio...

Depois veio a onda de profissionalização, de aparelhamento para uma luta mais pesada, eficiente, principalmente no caso das ONGs ambientalistas e sociais.

Hoje, problemas como os danos e abusos da especulação imobiliária, ou a falta de dados sobre possiveis danos a saude por antenas de celular, a morte de baías por grandes poluidores, a corrupção no poder publico, carecem de ONGs.

Por outro, sobram ONGs querendo parcerias milionárias com grandes empresas e governantes, poluidores, corruptos, mal administradores, etc.  ONGs que se prestam a faxineiros ou pintores de uma imagem bonita para entidades sujas, fazendo marketing ecologico para quem está devendo.

Seus diretores e equipes com salario de mercado, viagens pagas, almoços gratis, presentes de fim de ano, medalhas e diplomas... Enquanto os poucos guerreiros do interesse social gastam do seu para irem brigar com essas mesmas empresas e seus belos relatorios anuais de prestação de contas socioambientais.

E o que dizer das ONGs guerreiras?

Fora aquelas acusadas de favorecerem interesses internacionais, temos as ligadas a grupos politicos, de esquerda na maior parte.  Logo, suas ações também são suspeitas.

E todos se preocupam com grandes questões, grandes temas, porque é daí que vêm as grandes somas e ajudas.  Brigar contra um projeto abusivo de uma construtora não interessa, denunciar as profundidades oficiais de um esquema destrutivo nem pensar.

Refloresta-se 50 ha no interior de Minas e 10 ha na cidade do Rio de Janeiro vão pro espaço; investe-se nas tartarugas marinhas mas não se cuida para que vazamentos não ocorram.  Defende-se os 80% de reserva legal na Amazonia, mas a urbe padece de poluição do ar e sonora.

Ser ou não ser?  Pra Deus ou pro diabo?  Agua ou óleo?

Proposta de Novo Codigo Florestal

Leitores, segue o link do Google Docs onde hospedei o arquivo em PDF da proposta que elaborei para a revisão do Codigo Florestal:

http://docs.google.com/fileview?id=0BzGvXOWwRKHUMDdlNjc3ZDAtMWU0YS00N2NiLTg4OTItMzU0OGQ2MTdiNjNi&hl=en

Está para avaliação, opinamento, apedrejamento, etc.

Sexualidade Confusa

Há hoje uma onda pela midia de exibição e defesa da homossexualidade feminina, como sempre liderada por personalidades estrangeiras, em sua incansavel busca por autopromoção.  Agora um video postado no Youtube de uma cantora está causado alvoroço.  O video exibe o desejo do sexo lésbico, definido como amor legitimo, com destaque para cena de sexo lesbico em banheiro feminino, varias mulheres transando entre si.  Tudo normal, é o que diz o video, anormais são os que condenam.

Além do lesbianismo, temos a expansão da presença homo masculina, se assim podemos dizer.  Aqueles que até então diziam que casamento e ainda mais em igreja era coisa atrasada, hipocrita, neandertal, lutam para ter o seu direito de se casarem, inclusive na igreja, de véu e grinalda se possivel.

Por enquanto, pedofilia dá cadeia e mais ainda armas contra a Igreja Católica, revelada um celeiro de pedófilos.  Mas, até quado a pedofilia dará cadeia?  Talvez até a desmoralização completa do clero?  Mas e os terreiros?

Numa pressão tocada pela midia, como se sabe comandada em boa parte por gente de gostos e vicios estranhos ou deploráveis, a sociedade vai sendo posta na parede para aceitar como normal esses gostos e vicios e mais: para que adote-os e os exercite, como meio de obter a felicidade e a realização pessoal.

No outro extremo temos a heterossexualidade abusada, promiscua, truculenta.  Não estamos falando do Bruno do Flamengo, mas de uma multidão de pessoas que mistura heterossexualidade com barbarismo, com intolerancia, violencia, grosserias, com o culto a ignorancia.  É o heterossexualismo de "macho", que de um modo geral descamba também pra safadeza.

O prazer sexual foi o ardil criado pela natureza - ou por Deus se vc quiser - para que dois seres tão diferentes, como macho e femea, se unam num ato que aparentemente não tem resultado algum, ou importancia maior que a satisfação desse prazer desejado.  Por bem ou por mal, macho e femea se unem num ato reprodutivo.  A reprodução, perpetuação, é uma necessidade da especie, como comer e dormir são do individuo - em favor da perpetuação, o sexo acaba sendo tambem uma necessidade individual que, satisfeita, deve resultar em beneficio ao grupo ou, pelo menos, não vire uma fonte de prejuizos.

Coube a nós, em favor da convivencia em sociedade, de não vermos o sofrimento do outro, ou o nosso, de estabelecer regras de modo a impedir essa união por mal, forçada, sem consentimento de um dos lados.  Cabe a nós também garantir que esse ato de prazer e de perpetuação da especie não se transforme num mal, num meio de difusão de doenças ou de facilitação de outras vulnerabilidades perigosas a cada um, a sua familia, a comunidade e a espécie.  Assim, por meio dessas regras tentamos conter os impulsos que levam ao estupro, ao abuso de menores, a traição, a gravidez sem respaldo, ao abandono de incapazes, a difusão de doenças, etc.

O ajuntamento de individuos com isso vira sociedade ou, pelo menos, impede que nos matemos e nos exterminemos.

A construção da sociedade vai formando também ambientes de conforto, segurança, estabilidade, favorecendo liberdades antes impossiveis, dados os riscos disso num ambiente de permanente tensão por sobrevivencia.  Essas liberdades precisam, contudo, ser exercidas com responsabilidade, pois, sendo o Homem o que é, tendem os demais a seguirem exemplos daqueles considerados lideres, tendem a priorizar os desejos egoistas, individuais, em detrimento das necessidades do grupo, ou mesmo das fraquezas de uns.  Desse modo, liberdades individuais exercidas sem cuidado podem resultar em danos individuais ou em sucessos de momento, mas convincentes o suficiente para que tais condutas sejam imitadas, com prejuizos mais graves a frente para todos.

Mais confortos, mais seguranças, mais soluções, a natureza vai sendo impedida de agir contra as nossas irresponsabilidades, que vaõ crescendo por conta da garantia dessa impunidade.  O resultado é a construção de um ambiente de impunidade comportamental plena, podemos fazer o que quisermos, viva a liberdade total individual.  Será isso viavel?  Os que usam dos mesmos meios racionais (ou religiosos) para combater os abusos são postos na geladeira, são marginalizados como "caretas e repressores" - o poder da irresponsabilidade cresce com a impunidade, a certeza do sucesso do seu desejo sem freios amplia o numero de pessoas envolvidas, desejosas de também usufruirem desse direito - todos temos direitos, e nada de deveres.  Isso é a felicidade, declaram os que deveriam usar da razão com mais cuidado.

O que vivemos hoje, de defesa agressiva da permissividade, em nome dos direitos individuais, tem o seu preço e ele já foi cobrado uma vez com a AIDS, para não falar de outros episodios passados, mantidos fora do noticiario - nada que possa fazer vc pisar no freio deve ser lembrado ou posto em evidencia, porque isso cortará a marcha do lucro e do controle politico.  A permissividade tem sim o seu componente politico, a promiscuidade sexual é como a cachaça entre os pobres do meio rural dominado por coronéis.

Cabe a quem está vendo o mal disso tudo se unir porque em breve nem a pedofilia escapará, tratada como mais um exemplo de "amor legitimo" ou de "sexualidade resolvida".  Sim, cada um tem o direito de exercer sua liberdade pessoal, desde que ela não comprometa as conquistas tão duramente obtidas em nossa evolução da besta fera para algo melhor, o que somos hoje.

Os defensores da permissividade não toleram a reprovação pelos demais, esse é um traço interessante.  Não suportam o sucesso de quem vive "certinho" ou menos ainda de quem diz "não gosto" ou "não quero" a essas permissões.  É uma intolerancia inversa.  Já vivemos um tempo em que pessoas, principalmente adolescentes e jovens solteiros, que se esquivem dos assédios sexuais, são desrespeitadas ou mesmo forçadas, fisicamente ou por chantagem psicologica, a se submeterem - isso é muito grave e lembra a passagem bíblica de Sodoma e Gomorra.  Hoje, a virgindade como opção consciente de autopreservação é tida como pecado dos tempos libertinos, como a liberdade sexual consciente foi um dia um pecado dos tempos da rigidez moral.

O resultado: uma parte das pessoas, sem ter opção, se bandeia para o lado dos que cultuam a  ignorancia e a hipocrisia, ou aceita viver neste ambiente confuso, individualista. 

9.7.10

O Monstro Parido

A comissão da Câmara dedicada a revisão do Codigo Florestal pariu um monstro, o PL 1876 mais vários outros PLs apensados que, copiados e colados em folha A4, resultaram em 74 paginas, SEM AS JUSTIFICATIVAS.  Ao todo, cerca de cento e poucas paginas de um texto confuso, por vezes contraditório e por demais pretensioso, havendo ali, aprovado, um PL criando uma Lei Ambiental Rural e um PL tratando de uma nova politica de meio ambiente no país.

O que fica claro a mim (que sou parte de uma ínfima minoria que se dará ao trabalho de ler o corpo do monstro) que os deputados se empenharam na criação de uma arma eleitoral: agora irão aos seus currais brandear o projeto (ou projetos) dizendo que cumpriram sua missão e salvaram o agronegócio e os camponeses - logo, votem neles.  A trapaça está muito clara: a mudança atingiu o curral eleitoral de voto mais numeroso, dos pequenos proprietários.

Tenho lido em blogs, estudos, postagens no Orkut, entrevistas, etc, uma série de dados, a cada hora surge um argumento novo, exigindo o desmonte de minhas anteriores convicções.

Algumas coisas estão claras no momento:

1. se há terrorismo dos ambientalistas, há terrorismo dos ruralistas e dos que não se dizem ruralistas mas racionais e lucidos: dizer que o Codigo Florestal em vigor irá elevar o preço dos alimentos, se não tirá-los dos mercados, é um baita terrorismo.

2. dizer que o produtor rural, seja quem for, é um herói patriota é cinismo: vão me dizer que produzem para doar ao povo?  Vão dizer que arcam com suas responsabilidades quando, incompetentes e gananciosos, desprezam os riscos ambientais e os alertas do mercado, produzindo mal e arrombando suas contas?  Vão dizer que adotaram os transgênicos por ingenuidade?  Ou que bombardeiam com agrotóxicos porque temem ver o povo com fome?  Boa parte dos ruralistas empenhados nesta revisão representa a produção de soja, milho e carne que é exportada, não alimenta brasileiro algum, mas engorda gordos porcos e cidadãos da Europa, Japão e Oriente Médio.

3. alega-se que a Amazonia é 75% terras publicas e apenas 25% privadas, justificando a redução da RL porque o impacto disso seria irrisório - mas, não são as terras hoje privadas na Amazonia produto da grilagem e da apropriação de terras publicas?  Qual a garantia de que temos ainda 75% se nem a União sabe aonde vai seus dominios?  Se a questão fundiária na Amazonia é um misterio?

4. a preocupação que hoje alimenta a revisão vem apenas dos donos de terras na Amazonia e alguns do Cerrado, os donos da Mata Atlantica e da Caatinga já destruiram tudo, antes e depois de 1965.  Assim, passam ilesos os especuladores imobiliarios, os pecuaristas, industrias, carvoeiros e também os mineradores que reduziram a Atlantica a menos de 5%.

5. alegam os revisores que o progresso do Centro-Sul custou o quase exterminio completo da Mata Atlantica, logo, em nome do progresso do povo brasileiro (?) justifica-se o mesmo erro na Amazonia - é expressão de inteligencia não cometer os mesmos erros dos pais e avós.

6. Quem vai pagar a conta da restauração das RLs?  Diz-se que cobrar esse custo dos produtores irá inviabilizar a sua permanencia no campo e a produção, logo, não são eles que têm de arcar com o custo de algo em favor de todos - concordo em parte, porque eles devastaram para ganhar $$$ - mas, vocês acham que o Estado irá pagar isso?  Não, e se vier, irá criar um novo imposto, que será desviado e o buraco continuará.

6. a turma já está pensando em reduzir as RLs propostas pela revisão, que nem foi votada ainda - ou seja: no fundo, ninguem quer limites para seus atos.  Não se cansarão até que nenhum % seja exigido de um proprietário rural - como não é dos proprietários urbanos.

7. o Código Florestal, ao que tudo indica, continuará sendo um problema para o campo resolver, pois, na cidade, ele nunca foi respeitado.

8. nem o codigo atual e nem as propostas aprovadas tratam devidamente outros caminhos para a conservação, como a conservação premiada - há muitas propostas para isso.  Logo, é evidente que o esforço está centrado e priorizado na tarefa de se tirar um peso das costas de alguns, não de encontrar soluções.  Quando os defensores da revisão falam que reconhecem a necessidade de se ter defesa ambiental, que é importante pro Brasil, etc, etc, dá vontade de rir.

9. como ontem, em 65, os politicos que criaram a lei são da mesma estirpe ou bando dos que propõem a revisão: eles criam as leis, para enganar a opinião publica, pois não criam mecanismos para que as leis sejam de fato cumpridas, porque atingirão seus currais ou a eles mesmos.  Uma vez não cumprida tem-se o cenário da desgraça e aí levanta-se o clamor "O CODIGO É UMA INUTILIDADE" e tome pressão para revisá-lo.  É curioso, para não dizer triste, que aqueles que pedem a revisão, usando de argumentos tecnicos até, não ataquem com o mesmo vigor de cruzados a má fé dos politicos e dos setores que a avacalham, descumprindo-a - ao contrario, pedem a eles o seu apoio.  Vamos então rever todas as leis no País, para pior, para liberar geral, porque os responsaveis pelo seu cumprimento são os mesmos que a violam, mas neles ninguem quer tocar!

10. A guerra do codigo evidencia a resistencia por parte de muitos em mudar de modelo produtivo e explorar as oportunidades que o codigo insinua; tempos atrás, o pecuarista brazuca foi favorecido pelo "boi verde" no momento em que muitos estavam investindo na cópia do modelo euro-americano de criação, "muderno e superior", que resultou na "vaca louca".  Muitos anos atrás, escravistas protestaram contra as pressões abolicionistas, dizendo-se nacionalistas e racionais, quase todos nós conhece o resultado, em favor dos fazendeiros paulistas.

11. toda essa guerra deveria ficar como lição aos ambientalistas e mais ainda aos que acreditam num desenvolvimento diferente: o grosso da sociedade, que elege esses politicos e que se beneficia dessa bandalha toda, não quer nada com o Codigo Florestal, como não quer nada com Lei Seca, de Responsabilidade Fiscal, leis de transito, de telecomunicações, nada.  Sendo assim, os defensores de uma realidade diferente deveriam repensar seus conceitos e construir uma outra alternativa, favoravel a eles e que possa conviver com esse mar de ignorancia.  Nâo podemos permanecer condicionados, dependentes, dessa gente para termos aquilo que achamos bom e necessário, pelo menos para nós.

12. ao mesmo tempo, esse ambientalismo precisa tambem rever o quão está de fato preocupado com o Brasil e o quão está de fato apenas agindo como representante de outras vontades, o quanto tem os pés no chão e está disposto a discutir com feras para encontrar denominador comum.

13. os desastres de Santa Catarina, do Rio e agora no Nordeste não servem de lição para ninguem, é o que se percebe, então, que se dane a sociedade brasileira e seus ilustres representantes.

14. seria melhor, mais honesto, que surgisse uma lei que permitisse que o sujeito depenasse sua area e que ao mesmo tempo não atrapalhasse quem quisesse transformar a sua em reserva e ganhar com isso, inclusive cobrando a alma de quem quisesse por os pés lá dentro para beber agua limpa, respirar ar puro e comer coisa saudável.

Estamos perdendo oportunidades e a unica certeza que tenho é que tudo continuará com antes, pois não há qualquer sinal de que uma solução realmente adequada seja aplicada.

O Caso Bruno

Devagar com o andor, por dois  motivos: corpo ainda não encontrado e tradição da imprensa em se precipitar, porque vive de espetaculo, principalmente os de mau gosto - sim, até o momento tudo leva a crer que uma aberração foi cometida.

Um segundo ponto a considerar que a jovem, supostamente morta, é parte do lado obscuro de um ambiente mantido em sigilo a sete chaves.

Neste ambiente, os jogadores de futebol, normalmente pessoas desmioladas e cheias do dinheiro e prestigio, embarcam em orgias e festas menos escandalosas, onde prostitutas caras misturam-se a garotas popularmente chamadas de "maria-chuteira" avidas por um casamento com tais figuras, meio facil de garantir vida facil - pratica semelhante a que em rodas sociais "mais elevadas" com as garotas caçando empresarios e politicos.  Prostituição e golpistas do baú acabam misturando-se e trocando papéis.

Sempre aconteceu isso, porem, percebe-se como de 20-30 anos para cá o numero de garotas em oferta e de garotos buscando fortuna e sexo bom e facil cresceu bastante.  Vivemos um tempo de descarte dos escrupulos, pudores, respeitos mutuos, em favor de objetivos pessoais cada vez mais bárbaros, egoistas e sem compromisso. 

A postura das garotas que sabem possuir encantos fisicos e sexuais e que estão dispostas a oferece-los em troca de dinheiro e outros ganhos é a mesma dos rapazes que se julgam muito espertos e destemidos para usarem de suas capacidades em corrupções e outras jogadas dentro de empresas, partidos e orgãos publicos - ambos buscam fortuna, prestigio, fama, poder, em tempo curto, porque não querem ser como seus pais e sim como os astros e espertos mostrados na midia.

Vamos direto ao assunto: a corrupção e a esperteza desceram dos altos escalões da sociedade e ganharam suas versões mais populares; no passado, pessoas que tivessem tal conduta, de armar um casamento ou uma pensão grauda por meio de gravidez ou de ameaças de divulgação de segredos, ou de venderem seus atributos sexuais, eram mantidas longe de qualquer meio publico, permaneciam nas sombras, como que cientes de que sua conduta não era a mais correta e sim danosa ao tecido social.

Hoje, essa corrupção é publica e notoria, pior: incensada, elogiada, tratada como formula valida e imitavel de se ser feliz - o sucesso rapido combinado com meios questionaveis é a grande onda.

No caso da vitima suposta de Bruno, trata-se de uma filha dos nossos tempos, que teriam se iniciado tempos atrás, quando uma prostituta cara e das altas rodas, e não uma chacrete, se tornou apresentadora de programas infanto-juvenis, apesar de sua estória ser conhecida pelos pais.  A pressão encantadora da TV, dos donos da TV, transformou a moça num icone, num exemplo e num exemplo de sucesso para "as mulheres que queriam se libertar do papel imposto pelo mundo macho".

Pois bem, seu exemplo gerou filhos, com outras prostitutas de alto custo transformando-se também em apresentadoras de TV, após ganharem notoriedade com romances ou gravidez armada.  Mas, nao sejamos injustos: elas só estão aonde estão porque alguem abriu as portas para elas e esses são os donos da programação das TVs, cafetões e exploradores das fraquezas humanas, escondidos atrás das ilhas de edição e das cameras, fazendo seus "testes do sofá" e estabelecendo, com tecnica cientifica, da ciencia da mente e do comportamento humanos, o teor dos programas.

São esses caras, que não aparecem, que transformaram a midia brasileira, a exemplo da midia dos EUA e de outros países, em maquinas de fazer dinheiro a partir das fraquezas humanas, das fragilidades culturais, nacionais, seduzindo milhões de pessoas e as manipulando muitas das vezes sem perceberem, tal o refinamento.  São esses caras que promoveram a erotização infantil e seus prejuizos para tantas pessoas, enquanto faturavam.

Assim como os empresarios do futebol, os donos dos passes, são os tiranos dos atletas, assim os empresarios da prostituição cara, das drogas caras, das festas de arromba, controlam os "passes" e portas do meio artistico, decidindo quem chega ao estrelato e quem não chega.

A suposta vitima de Bruno pode ser definida como mais um produto dessa ideologia, desse projeto, só que um produto que se deu mal.  Pelo que consta informado pela propria midia, entende-se que essa jovem tentou dar o golpe e se ferrou, assim como entende-se que os homens envolvidos são culpados de um crime barbaro contra essa mesma moça.  Quantas moças estão na fila, tentando dar um golpe e quantas já não morreram ou cairam em desgraça, mas sendo que suas estórias foram abafadas?  Essa não seria abafada também?

Quantas, por outro lado, por uma sorte da vida ou por astucia, contornam falhas e conseguem ser bem sucedidas, tornando-se celebridades e apresentadoras de programas, virando icones da juventude, grandes iscas a serviço do consumismo, do voto, etc - virando exemplo inspirador de mais e mais outros jovens, sendo que a quase totalidade passará pelo sistema como carne e não alcançará a tal fortuna?

5.7.10

O Segredo da China

A China atraiu o Ocidente, depois de ter sido sacaneada pelo Ocidente - No século XIX, a Grã-Bretanha, ao ver que os chineses não queriam comprar nada do Ocidente, da revolução industrial britânica, tratou de inundar aquele país com o ópio, provocando um flagelo, a reação chinesa, diplomatica, foi tripudiada pelos britânicos, levando a China a declarar guerra a rainha traficante - Deus salve a rainha.  A China perdeu e se viu obrigada a abrir o país aos produtos britânicos e ainda a perder Hong Kong.

As décadas passaram e agora a China surge como um dragão.

Quem alimenta essa explosão chinesa?  O capital graudo de mega investidores ocidentais, as empresas europeias e dos EUA, que exploram as condições baratas impostas pelo governo comunista - bobo?  Nâo, eles estão dando o salto e são hoje a 2a maior economia do planeta, em breve serão a 1a e aí darão o tombo definitivo em todos, inclusive nos EUA.

PT está vendendo o Brasil aos chineses

Durante a campanha de reeleição de Lula surgiram denuncias, logo abafadas, de apoio externo, via Taiwan e China.  Ok, apoio externo a campanha presidencial no Brasil não é novidade, assim como não era novidade mensalão - o PT tomou o pão da boca dos outros partidos "de direita".

Então, começaram a apertar o cerco ao maior contrabandista de produtos chineses e, passado um tempo, veio a tona o envolvimento do filho do Romeu Tuma, da turma "da direita", agora metida com Lula.  Tuma Jr. era secretario nacional de justiça, orgão encarregado de combater a pirataria.  Acabou pedindo pra sair.

Neste domingo, a Folha, acusada de fazer falsas acusações a Dilma e de colaborado com a ditadura (agora convem dizer isso), lançou um missil no PT.  Valter Pomar e outros membros do PT e do PV são socios de uma empresa que representa interesses chineses e que estariam fazendo bons negócios no Brasil há anos, ampliados com a entrada de Lula no poder.

Ou seja: da banca de camelô as futuras turbinas de Belo Monte, a China se aproximou do governo brasileiro e está abrindo caminhos, ao mesmo tempo em que este mesmo governo mantem uma politica tributaria pesada e outros impedimentos a industria nacional, apesar de não parecer.

O que causa indignação não é apenas o fato de dirigentes e ex-dirigentes do PT, alguns ocupando cargos de chefia no poder publico, estarem com um negócio privado paralelo, mas também o fato de "comunistas de carteirinha" estarem, nos bastidores, agindo como capitalistas de carteirinha, vejam a chamada do site da Asian Trade Link:

"...é uma empresa comercial importadora-exportadora (Trade Company) focada nas oportunidades comerciais entre Brasil e China.  Oferecemos a sua empresa excelencia em consultoria em Comercio Internacional, envolvendo todas as etapas do processo comercial." 

Realmente, há algo de errado com esses comunistas, ou socialistas...

http://www.asiantradelink.com.br/

Na verdade, olhando o site, temos a certeza de que não tem essa de troca, a empresa representa interesses chineses no Brasil.  Amanhã, estaremos com nossa industria arrebentada, nossas patentes violadas, a Embraer sem mercado, etc, e eles dominarão tudo.

22.6.10

As Teorias de Conspiração da Internet

A Internet é um invento fantástico, ampliou tremendamente a comunicação de dados e informações, sendo este o seu principal serviço.  Configura-se hoje no unico meio eletronico livre, acessivel a todos.

Como não poderia deixar de ser, num ambiente assim, polulam as mais diversas informações, do audiovisual pornografico aos blogs politicos, das receitas de bolo as trocas de mp3.  Dentre os usuários estão aqueles que usam da Internet como veiculo de disseminação das chamadas "Teorias de Conspiração".  Neste papel destacam-se religiosos, ambientalistas e aqueles preocupados com questões politicas de grosso calibre.

Dentre o material que anda sendo divulgado temos:

1. As denuncias contra a mobilização contra a pandemia de gripe H1N1 - pelas quais se prega a não vacinação, alegando-se, como no caso da rubeola, que a vacina é mortal, paralisante, esterilizante,etc.

2. A pressão em favor de medidas contra o dito aquecimento global - alegando-se que elas servem a interesse de nações que querem impor um conjunto de novas tecnologias e outras soluções, caras, sendo que as atuais nada afetam o clima.

3. A catastrofe de 2012 - o tal Calendario Maia, que revelaria um apocalipse devastador, por causas astronômicas, para 2012.

4. HAARP - o ultra-secreto instrumento criado pelos EUA, capaz de criar terremotos, tendo sido o responsavel pelo terremoto na China e no Haiti.

5. As ONGs estrangeiras que querem travar o Brasil - usando de argumentos ambientalistas para impedir a ocupação e uso da Amazonia pelos brasileiros e do restante do territorio nacional.

Bom, essas são apenas algumas.  O que temos a dizer sobre isso?

1. acho que mais perigoso que vacinar-se contra a H1N1 é não vacinar-se, esse sim me parece o genocidio consentido em favor da falsa autoproteção contra um suposto genocidio planejado por grandes grupos.  Se os 90 milhões de brasileiros vacinados contra a gripe, a gripe sazonal e a rubeola dessem ouvidos a tais denuncias (nem todas descartaveis), teriamos mais gente morrendo.

2. o aquecimento global é uma tese, dentre varios argumentos de contestação está o fato de que a ciencia não tem 50 anos que está mergulhando neste tema, mesmo que as analises envolvam registros em gelo com 600 mil anos - a tecnica de avaliação desse material está correta?  Há argumentos espinhosos contra interesses industriais que deveriam ser levados em conta.

3. o Calendario Maia revela que o império Maia seria abalado por uma grande inundação.  O Calendario Maia não foi capaz de prever seu exterminio pelos espanhois logo depois...

4. ´HAARP - sabendo a China que o terremoto que matou seus cidadãos foi provocado pelos EUA, voces acham que ficaria por isso mesmo?  Como um sistema desses, que demanda enorme quantidade de energia, poderia funcionar sem provocar um blecaute nos EUA?

5. a atuação de organizações civis ou particulares em favor de ideologias é bem conhecida, sabemos o quanto ONGs poderosas são custeadas por pessoas poderosas, que acabam influindo nos rumos destas ONGs - se fizer X, terá o dinheiro, ou o dinheiro é para X.  A questão das ONGs no Brasil pode levantar questões sérias, mas, mais serias parecem as condutas daqueles que decidem os rumos do País, de tal modo que as ONGs acabam fazendo o papel de forças de vanguarda no meio de um bando de boçais que beijam a bandeira do Brasil, para limparem o rabo com ela depois.  É triste ver ONGs estrangeiras defendendo situações que deveriam ser nossa obrigação assumir.  O caso das ONGs ambientalistas no Brasil lembra o episodio da Abolição e das pressões britanicas, favor consultar e comparar. 

17.6.10

Obrigado Imprensa

O jornal O Globo de 13/06, domingo, em seu caderno especial do bairro da Barra da Tijuca, exibiu materia sobre a vida na Ilha da Gigoia, tratada como um pequeno paraiso ilhéu encravado no cada vez mais populoso e agitado bairro beira-mar carioca.  Ali tem restaurantes, mercado, ong ambientalista, pousada, etc.  Todos falam da beleza do lugar, da tranquilidade, da preservação ambiental.  Que lindo.

Acontece que a ocupação na Ilha da Gigóia e nas outras a seu redor são ilegais.  Acontece que todas as ocupações ali contribuem com esgoto in natura para a poluição da laguna.

As ilhas nasceram de obras de dragagem daquele trecho da Laguna da Tijuca, que formaram bancos de areia pequenos, nos anos 1960-70, que foram inicialmente ocupados por pescadores e depois por pessoas com autorização da Marinha ou da Superintendencia de Patrimonio da União - porque são ilhas criadas em águas de laguna, logo, pertencentes e sob gerenciamento da União.

Os anos se passaram e sem qualquer tipo de fiscalização - é o que dá pra entender - as ocupações foram sendo ampliadas, mediante aterros e corte de manguezal.  O unico lugar que preservou alguma coisa proxima do antigo cenário original foi a ilha ocupada pelo Clube Marina.  O que surgiu em Gigóia foi uma favela classe media, acessada por barco.  Essa favela classe media disseminou mau exemplo para o Itanhangá, já no continente e a beira da laguna, cujas margens estão tomadas por favela de rico (loteamento e condominio irregular) e de pobre.

Por Lei 37 de 1977, a Prefeitura do Rio destinou as ilhas das lagoas da Baixada de Jacarepaguá a atividades de lazer, não de moradia e nem de comercio, cabendo a Prefeitura conceder ou não as autorizações para tais usos recreativos.  Em 1978, a Lei 68 institiuiu a area de preservação ecologica na Ilha da Coroa.  Por outro lado, sempre coube, como dissemos, a União, disciplinar o uso e ocupação daquelas frações de terra.  O que temos hoje?

O mais curioso é saber que, no meio daquela ocupação que viola leis, leis ambientais inclusive, existe uma ONG que se diz preocupada com o meio ambiente na região.

A situação nas ilhas e a conduta da imprensa não difere de tantos outros casos em que a imprensa, longe de atuar como sustentadora da Lei, mesmo que de leis burras, atua como legitimadora dos que violam as leis, tratados em materias jornalisticas como empreendedores de visão, socialmente responsaveis, ambientalmente corretos, politicamente justos, bla bla blá.

O que fica como exemplo é isso: violar a Lei no Brasil é vantajoso, bobo é quem a respeita, pois perde oportunidades valiosas.  O abusado não apenas se beneficia de seu abuso e da impunidade, mas ainda é enaltecido pela imprensa.  Violemos as leis e tenhamos o nosso minuto de fama e de elogio civico.

10.6.10

Trocando de Dono

O Brasil, apesar de ter a maior area de floresta plantada no mundo, para produção de celulose, permanece como comprador de papéis de outros países.  A China está se transformando na maior compradora de celulose e o Brasil se orgulha em exportar para a China, para depois comprar papéis chineses e até mesmo livros produzidos lá a partir de projetos brasileiros.  O Brasil, com isso, exporta empregos, renda e oportunidades de evolução tecnologica, para os chineses, que devem estar agradecidos.

Continuamos na lógica colonial do arrancar daqui a qualquer custo (ambiental e social) o pau-brasil em tora e o açúcar bruto, para vender a outro país e depois comprar a roupa tingida de vermelho e o açúcar branquinho.

País de merda.

7.6.10

O Golpe do Aquecimento Global

Dentro das principais universidades publicas brasileiras existem grupos de professores que usam e abusam de sua condição para ganhar dinheiro vendendo serviços e produtos, atuando como representantes disfarçados de empresas, a maioria delas estrangeira, serviços e produtos relacionados a tecnologia.

O Banco Mundial já está mais que conhecido como instituição que, em nome de boas causas, oferece dinheiro condicionado a países, com condições que representam interferencias serias nas suas politicas soberanas.  Para alguns, o Banco Mundial é um braço disfarçado de especuladores "caridosos" que usam de um "banco bonzinho" para impor seus interesses nada bonzinhos.

A Grã-Bretanha vem sendo acusada há tempos de usar de vários artificios sutis para defender seus interesses, artificios como a credibilidade de suas instituições cientificas.  Os britânicos e suas empresas são conhecidos desde o século XIX, lembrando da enorme influencia que exerceu aquele país no nosso governo durante do império (depois vieram os EUA).  Causas nobres usadas para legitimar planos nada nobres.

O Jornal do Brasil há dias vem se dedicando a dar espaço para um grupo de professores de uma importante universidade brasileira, no Rio de Janeiro, calejados em prestar consultorias a governos e a empresas, e que mais do que nunca andam atentos as oportunidades criadas pelo alarmismo do aquecimento global, sendo que no Brasil, como em outros países, esse alarmismo é financiado pela representação do governo britânico.

A COPPE, instituição de professores ligadas a UFRJ, elaborou um estudo de 600 paginas, pelo qual pretendeu-se definir que trechos da costa serão arruinados e quais escaparão - não se enganem, um estudo assim tem tudo para ser superficial.  O estudo foi patrocinado pela embaixada britanica e dado ao Banco Mundial, que já estimou o custo de 3 bilhoes de dolares para medidas preventivas.

Ou seja, está claro como água de nascente: os britânicos, por meio de sua embaixada, querem vender tecnologia, contando para isso com aval da COPPE, financiada neste momento com grana britânica; a verba para a compra e aplicação dessa tecnologia britânica estará disponivel pelo Banco Mundial, que, obviamente, fará exigencias que podemos imaginar: comprar produtos e serviços de empresas britânicas e de suas parceiras europeias...

Veja que não estou discutindo se o aquecimento global procede ou não, se é alarmismo tolo ou mal intencionado, ou verdadeira catastrofe iminente.

O Jornal do Brasil, que já produz uma revista dita ecologica, feita em Minas, revista "chapa branca" que tece elogios a governos (como o de Minas) e a empresas (patrocinadoras da revista), agora se dedica em suas paginas diarias a defender a causa aquecimentista, muito por iniciativa de um blogueiro (na verdade, blogueiro oficial é colunista), que se viu entusiasmado com a ideia de salvar o Brasil das ondas.

O aquecimentismo já tomou conta da Prefeitura do Rio há anos, outras instituições publicas estão no mesmo barco, e o espaço para a voz discordante?  Não há.  A voz discordante alega não haver estudos suficientes para dizer-se sim ou não, na verdade, a grana está sendo dada a quem estiver disposto a dizer sim para a tese, vide o financiamento dado pelo governo britânico.  Nós, brasileiros, em nossa classica negligencia para com a ciencia e a verdade, deixamos que um lado pese mais - instituições publicas não são para defender essa ou aquela tese, mas para trabalhar sobre a verdade - a falta de recursos e de vergonha na cara para quem os destina nos mantem na condição de seguir a verdade que os outros querem nos dizer.

O proprio estudo da COPPE diz que as previsões feitas para o prazo de 30 anos precisam ser periodicamente revistas - de 10 em 10 anos diz ela - por conta da precariedade de dados sobre o tema.  Ou seja: o carro na frente dos bois, porque assim é mais lucrativo.

Os danos na costa (invasões por mar, erosão de praias, etc) e os episodios de enchentes precisam ser avaliados na sua realidade: eventos pontuais, com causas mais palpáveis a investigar, porem, como tais causas certamente estão ligadas a especulação imobiliaria, obras publicas de politicos ignorantes, patrociandores de jornais, etc, joga-se a culpa no aquecimento global, gasta-se os tubos, deixa-se os culpados impunes e, se amanhã descobrir-se que não era o aquecimento, terá se passado tempo suficiente para não haver responsaveis.

É ou não é um bom negócio?

31.5.10

A FALACIA DO PLANEJAMENTO URBANO

Grandes construtores e especuladores imobiliários financiam as campanhas de politicos de diversos partidos, mas daqueles com chances de conquistar algo.  Uma vez no poder, eles passam a ativos agentes destes dois setores, levando ao corpo tecnico projetos e propostas já elaboradas pelas empresas, o objetivo: dar ar de oficial e legal ao interesse dos construtores e especuladores imobiliários. 

Dentro dos orgãos tecnicos, são escalados para comandarem o processo profissionais reconhecidos por sua simpatia aos dois setores, por seu servilismo a vontades mais infames dos chefes e dos politicos, etc.  Muitos são os argumentos tidos como legitimos usados para convencer os demais tecnicos, resistentes, como o de que determinado bairro está estagnado, que a favelização é resultado da paralisia do setor, que o poder publico não tem recursos para desapropiar areas ou vencer disputas juridicas com proprietarios que se sintam lesados por uma regra mais restritiva, etc.

Dentro dos orgãos tecnicos as leis ambientais são escandalosamente desprezadas, como no caso do Codigo Florestal, que os urbanistas e arquitetos têm como restrito ao meio rural.  Os planos de ocupação urbana desconsideram APPs e as famigeradas RLs, passam por cima de restrições legais diversas, menosprezam considerações tecnicas - respaldadas não na lei, mas no uso correto da ciencia.  Ao argumento de algum tecnico da area ambiental, perdido nesta arena de feras, respondem que as restrições ambientais deverão ser dadas por ocasião do licenciamento - quando será tarde demais para se impor restrições.

Por fim, o projeto que nasceu no escritorio do especulador ganha a cara de um projeto publico, com carimbo e publicação no Diario Oficial.  O teatro da formulação de leis por um poder publico soberano e correto foi mais uma vez encenado para uma sociedade meio tola e meio distraida.  Depois chora-se nos engarrafamentos, nas clinicas de alergia, nos consultorios de psicologos e psiquiatras, nos enterros de vitimas de deslizamentos, etc.

Uma vez tornada peça legal, oficial, a lei passa a reger todo um conjunto igualmente teatral chamado de licenciamento, cuja unica finalidade é dar chancela oficial ao que pede o interessado, sendo raríssimo o caso de alguem que tenha seu pedido de construção alterado ou mesmo negado - são os casos de quem não tem padrinho.

Se o interessado resolver fazer sem o carimbo, sem a licença, aí ele será punido - punido unicamente porque fez sem o "sim" da otoridade, porque, licenciado ou não, o interesse é tecnicamente infame para o conjunto da cidade.

10.5.10

Como Crescer sem Degradar?

No Brasil todos os anos milhares de jovens desgarram do salário dos pais para ganhar o seu, todos os anos milhares de pessoas entram na praça de consumo, no mercado, atrás de energia, alimentos, roupas, lazer, saúde, moradia, além de saneamento. Nossos empresários buscam todos os anos manter ou ampliar seus negócios diante das variações do mercado, dos competidores, das oportunidades, etc. Nossos políticos tentam saciar demandas de grupos diversos, fora as suas.




Como conciliar isso com a natureza?



E por que temos de conciliar progresso com a natureza? Quem está preocupado com macacos, arvores e peixes? Quem está com a vida saciada, quem não tem ambições maiores - essa é a visão da imensa maioria de cidadãos, para os quais a natureza é, quando muito, fonte de meios de progresso, pois, para eles, o progresso parece se dar sem qualquer relação com a natureza, como o leite - que dá em caixas de papel. A natureza tem força própria, ela pode se virar diante da poluição, do desmatamento, da desertificação, etc.



Entretanto, a própria saúde humana e produtividade deste progresso dependem a sanidade ambiental, então, a natureza tem uma utilidade: garantir o bem estar humano – ok, então, vamos conservar aquilo que a ciência definir como muito necessário a nós; porém, a ciência é falha e não conhece tudo, o que vier a ser destruído com aval cientifico pode se revelar amanhã como perda irreparável e grave. Isso nos remete a idéia de que nada na natureza é fútil ou descartável, que todos têm o direito de viver e o nosso consumo ou excreção devem ser responsáveis, respeitosos. Aí já entramos num ponto doloroso para muitos seres humanos, o de respeitar o próximo, já sendo dificílimo aplicar isso a outro humano – as próprias igrejas se encarregam ainda hoje de justificar os abusos.



Alegam os desenvolvimentistas que não há conciliação ou, quando muito, pode-se reservar áreas inférteis, imprestáveis, ao progresso (segundo o atual modelo) para a conservação de frações dessa natureza – melhor seria se os conservacionistas se virassem para ter o seu mundinho, em vez de se gastar dinheiro publico com isso.



A questão, na verdade, está aqui: os que decidem e impõem regras estão visceralmente ligados aos promotores do modelo vigente, e destrutivo, de desenvolvimento. Assim, para um outro modelo dominar, é preciso que ele gere riqueza e uma oferta apreciável de itens alternativos. Ninguém vive de vento ou de palavras.



Exemplos alternativos estão aí, a riqueza pode ser gerada por royalties da bioprospecção, da energia solar, da produção orgânica, da construção usando reciclados, do aproveitamento de resíduos, da correta administração de unidades de conservação, da criação/cultivo de espécies nativas, da venda de tecnologias limpas de produção, etc, etc.



Mas, como dissemos, os que decidem e geram emprego, renda e tributos estão atrelados aos velhos modelos, velhos modelos de produzir, de excretar, de tratar as pessoas, etc. Logo, a mudança tem que vir do trabalho dos que a querem, não do trabalho dos que a rejeitam

5.5.10

PÉ COM PÉ




Não arrumei outro titulo melhor para o texto: hoje, como há 20, 50, 100, 200 anos atrás, existe um contingente de brasileiros insatisfeitos com o país, eu me incluo. Uma insatisfação múltipla, conforme a classe social, a raça (eu acredito nisto), sexo, idade, cidade, região, etc. Para alguns analistas, a insatisfação está concentrada na classe média, enternamente insatisfeita e medrosa, será? Não acredito.



Lula, em final de mandato, foi descrito por Michael Moore como aquele que desabrochou no Brasil o sonho americano, enquanto Obama presidência o processo de desmonte desse mesmo sonho, iniciado pelos antecessores. A solução do Brasil estaria em liberalizar a vida de modo que todos possam, por seu trabalho, obter renda e realizar seus sonhos materiais, sonhos de consumo, que o mercado se esforça por tutorar a seu favor.



Sim, cada um de nós tem o direito de, por seu trabalho, obter a renda para custear a realização dos sonhos pessoais, obter o meio de troca para viabilizar isso.



A cura da insatisfação brasileira estaria aí, porque essa é a raiz da insatisfação e esse é um direito que por séculos foi exercido apenas por uma pífia minoria, enquanto o grosso da população penava para sobreviver, muitas das vezes mediante humilhações. Essa liberdade, do liberalismo democrata, seria a essência do sonho americano. Lula, queiramos ou não, representa essa maioria, esse “paraíba que deu certo”.



Mas, esse poder sem formação, sem consciência, é como revolver em mão de criança, ou de macaco – os EUA, mais uma vez, têm muitas lições tristes a dar sobre isso, assim também a Europa. A insatisfação geral e o sonho de Lula desagradam os comunistas, claro.



Mas, a insatisfação não reside apenas na ausência de chances de ganhar dinheiro para com ele construir uma realidade melhor: uma casa, um carro, uma geladeira, mais cerveja e churrasco, celular cheio de recursos, etc. A insatisfação está também contra os meios que muitos têm usado para conseguir esse dinheiro e contra as formas de gasta-lo e de usar o que se comprou. A insatisfação no país pega no rabo de Lula também.



E aqui fica uma observação, para encurtar conversa: mais do que direcionar a insatisfação no esforço de um voto consciente (sendo tão difícil achar políticos decentes), essa insatisfação deveria ser usada para a nossa própria reformulação pessoal, no intuito de amadurecermos como cidadãos e membros do grande ecossistema. Essa insatisfação deveria nos fazer candidatos e assumir funções políticas, de governança, no condomínio onde moramos, no clube que freqüentamos, na religião que nos sustenta a alma, nas reuniões de pais da escola dos filhos, nas associações profissionais, etc, etc, para por fim, e aí sim, exercermos a insatisfação como candidatos a postos de comando da vida publica.



Uma outra forma de expressar uma INSATISFAÇÃO AMADURECIDA é exercer função econômica – trabalho, empreender, fazer negócio – balizada por essa insatisfação amadurecida, sermos funcionários ou patrões ou profissionais liberais conscientes, contaminando nosso trabalho com esse sentimento. Penso mesmo que, antes de querermos eleições limpas, candidatos corretos, leis decentes, etc, deveríamos construir um poder econômico comprometido com essa insatisfação amadurecida, para que ele pudesse financiar – aí sim – os esforços políticos.



Mais que políticos conscientes para serem votados, precisamos no Brasil de sociedade consciente, e de empreendedores e funcionários conscientes, precisamos enfim formar uma BASE consciente, a sociedade que se faz por si mesma – em vez de ficar torcendo para que dos covis brotem santos libertadores, torcida natural dos covardes e acomodados.



Mas, tenhamos uma certeza: a sociedade, em geral, ricos e pobres, não está interessada nisto, quer permanecer sim como macacos com pistolas nas mãos. A sociedade em geral, cultos e analfabetos funcionais, quer o álibi do alienado. A sociedade em geral, pretos e brancos, homens e mulheres, não quer as responsabilidades inerentes a liberdade, mas sim um “senhor que os ajude”.



Então, façamos nós a realidade que queremos para nós e tudo o mais será conseqüência.

Codigo Florestal e Interesse Publico

Codigo Florestal e Interesse Publico




A lei de florestas de 1934 surgiu num país sob ditadura e ainda dependente da lenha como fonte de energia – de residências a industrias. Uma lei que buscou impedir o abuso extrativista. O Código Florestal de 1965 surgiu em contexto de ditadura e também preocupado com o processo de exploração e consumo de bens florestais, mas tem um toque mais conservacionista. Vinte anos depois vieram mudanças dentro do regime dito democrático, apesar de as ultimas terem sido impostas por Medida Provisória.



Sem mais delongas, acusa-se todos os códigos de terem sido inúteis na sua missão. Motivos: a falta de vontade do próprio Estado de fazer cumprir as leis que cria e a possível falta de bom senso da lei, por ela atingir – inutilmente – as forças produtivas do país. Enfim, a lei seria burra e fora da realidade. Os fatos comprovam os argumentos.



A Lei de 1934 não impediu o processo de destruição da Mata Atlântica, que ganhou força tremenda em meados do século XIX, quando os cafezais invadiram as montanhas, onde originalmente estava a maior parte da floresta; depois, vieram as ferrovias e as rodovias, eixões de devastação. A lei de 1965 foi igualmente inócua para deter o avanço da fronteira agrícola-urbana no Cerrado e na Amazônia, ou para impedir a destruição dos últimos refúgios de Caatinga. É bom lembrar sempre da força urbana porque um dos argumentos criminosos é de que o Código Florestal não é aplicável nas cidades – ou seja: nas cidades, onde residem boa parte dos críticos do desenvolvimento e dos formadores de opinião, o Código não vale, só vale em cima do lombo dos fazendeiros.



Já faz alguns anos que o embate sobre mudanças, para melhor ou pior, aqueceu-se por conta das alterações em favor da Mata Atlântica (visando preservar os últimos remanescentes) e das que ampliaram a Reserva Legal na Amazônia, de 50 para 80%, a meu ver ilegal. É dramática a situação da Mata Atlântica, reduzida a menos de 10%, ainda vulnerável e pressionada, seus remanescentes sim mereciam ser preservados em 100% e não em 25% como hoje a legislação diz proteger (diz).



Mas, se os ecossistemas, a biodiversidade e a estabilidade dos mesmos são de interesse publico, porque o Estado brasileiro não assume isso inteiramente? Por que não faz como na Saúde, na Educação e na Segurança publicas?



O Estado deveria, para o bem geral, ampliar em muito o total de áreas publicas protegidas, garantindo a representatividade da biodiversidade e a segurança ambiental, num percentual do território que cumprisse ao menos essas duas funções – quem sabe, 30%. Os outros 70% do país estariam disponíveis a alterações, visando acolher cidades, industrias, lavouras, portos, etc, ou mesmo virarem reservas de caça, reservas florestais particulares (RPPNs), áreas privadas de ecoturismo, florestas manejadas, etc. Essas áreas seriam federalizadas, mas nada impediria que os municípios e os estados criassem as suas, aumentando ainda mais o percentual localmente.



O Estado, que representa a sociedade, precisa assumir a sua missão, se esse tema é de interesse da sociedade, ele tem que assumir, bancado por essa sociedade. O que se propõe é fim da hipocrisia e da falta de clareza, o cinismo.



Se o Estado trataria mal essas áreas como trata a Saúde e a Educação são outros 500, o que importa é que esse debate inútil sairia da arena privada e iria inteiramente para a publica. Assim como deveria caber ao Estado produzir o conhecimento mínimo da realidade ambiental e social do país a fim de balizar sabias decisões de desenvolvimento, em vez de transferir isso para EIAs e RIMAs, tendenciosos, obviamente.



Os proprietários de terras ficariam livres para ter ou não áreas preservadas, para cultivar ou não florestas como se cultiva soja ou cana, e ficaria o Estado livre para gerenciar as terras destinadas a conservação, porque seriam suas – da sociedade. Estariam as partes bem diferenciadas.



Como fazer isso? Não temos multas? Não temos compensações ambientais? Não temos grana de fora? Não temos créditos de carbono a negociar?



O que não fosse passível de desapropriar seria alvo de contratos entre o Estado e o particular, numa troca de interesses em favor da conservação de áreas privadas.



E os aspectos técnicos que definiriam o que e o quanto a ser preservado? Esse continuaria sendo um terreno espinhoso, mas, uma vez definido claramente, considerando as particularidades ambientais, os limites de preservação a serem incorporados pelo Estado ou por estes contratos, estaríamos finalizando boa parte dos problemas gerados por parâmetros generalistas criados lá atrás no tempo.



Parece ingênua e simplista a proposta? Talvez seja a mais exeqüível e conciliadora.



Por fim, para fazer justiça, as leis criadas nos anos 30 e 60 foram as leis possíveis dentro de cada contexto e, apesar de todo o nosso avanço, parece que continuamos presos as poucas possibilidades...



Salvador Benevides

Eng. Florestal

28.4.10

Matando o Licenciamento Ambiental

Me incomoda a persistencia das acusações que a sociedade vem fazendo, através de seus políticos, empresários e formadores de opinião, contra o licenciamento ambiental e mesmo a toda política ambiental, de atravancar o progresso do país e de nos submeter a interesses estrangeiros.




Para inicio de conversa, a política ambiental vai mal sim, afinal de contas, assim como a educação, a segurança e a saúde, ela é produto da postura da própria sociedade, e são exatamente os acusadores os principais responsáveis por fazer da política ambiental mais um caso “para inglês ver”, gente que tem todas as condições para fazer as coisas certas, mas não faz.



A defesa do uso racional dos recursos naturais e humanos e o desejo de preservar a biodiversidade e cenários que nos encantam são velhas demandas brasileiras, a mais ilustre voz foi José Bonifácio, que muitos brasileiros nem sabem quem foi. Ainda hoje, são escassos os meios para se projetar e executar a política ambiental, resultado disso é, por exemplo, a transferência ao empreendedor do ônus de se estudar a área visada e elaborar relatórios de impacto ambiental, obviamente medíocres e tendenciosos.



O licenciamento ambiental vai mal porque ainda hoje falta conhecimento da realidade ambiental brasileira, faltam pesquisas, divulgação, organização de trabalhos, de dados, etc. Vai mal porque falta pessoal capacitado enquanto sobra improviso e má gestão do recurso humano. Vai mal porque o Estado brasileiro persiste no excesso burocrático como arma inútil contra abusos e para proteger incompetentes com poder de decisão. Vai mal porque os próprios requerentes de licenças trabalham mal, deixam passar prazos, fazem projetos ruins, etc. Vai mal porque quem manda nos órgãos públicos são os políticos, representantes de uma sociedade alienada e oportunista, e que estão sempre dispostos a subverter a máquina publica em favor de seus amigos.



O político é, normalmente, o cara que se especializou em explorar demandas de pessoas e empresas, usando disso como escada para o poder. Normalmente, não entende do funcionamento da maquina publica, muito menos da missão do órgão ou setor dado a ele como parte da jogatina do poder, mas sabe pintar de verde o urubu para vende-lo como papagaio a essa sociedade, já definida. Uma vez lá dentro, ele precisa de funcionários interessados em satisfazer sua vontade (e em protege-lo) em troca de cargos, facilidades e outros privilégios – é assim que, normalmente, nascem os funcionários de carreira, que ascendem justamente por cumprir essa missão, geralmente infame, porque envolve pressões contra funcionários sérios, acobertamento de corrupção e outros desvios, chute nas prioridades reais para favorecer projetos eleitoreiros e, enfim, a transformação do licenciamento em mero exercício burocrático.



Esse malfeitor eleito precisa de uma curriola de funcionários para embasar seus atos, sem eles ele não é nada, nada faz. E é no seu gabinete, sigiloso, que ele tratará dos casos específicos, dos requerimentos de licença valiosos, nesta hora entrando as vezes a criação de dificuldades para vender facilidades. E aí está o ápice da perversão: quanto mais sério o julgamento técnico contrário ao projeto, mais alta será a propina cobrada pelo supremo senhor para que este encontre um caminho liberador...



Contra a situação ruim do licenciamento e sem denunciar os motivos e os responsáveis, os acusadores pedem agilização, chega de burocracia e de radicalismo! Viva o Brasil!



O político atende, simplesmente dando corda para os radicais se enrolarem (e, se possível, se enforcarem) e pedindo empenho aos carreiristas para que sustentem o atropelamento das leis e da moral públicas. A seriedade vai para o espaço, porque, como sempre, não há tempo para ficar-se discutindo falta de pessoal, de pesquisas, de equipamentos, etc, etc. A agilização do licenciamento é um termo bonito para esculhambação criminosa.



A Justiça assiste a tudo isso como sempre assistiu a tudo, os meios de comunicação permanecem na sua habitual superficialidade conveniente e os parlamentos continuam como balcão de negócios. E todos, no final das contas, mostram-se muito preocupados com o aquecimento global...